30 de ago de 2010

Eternamente Toquinho

Nosso mestre Toquinho, finalmente teve um programa sobre sua música em mais uma edição da série Global "Som Brasil".

Quem de nós, da minha geração, que não conhece "Caderno", ou "Aquarela"? E que mais tarde veio a conhecer "Tarde em Itapoã" nos karaokês malditos da vida, ou "Samba de Orly" com sua poesia popular e malandra? É. Toquinho se consagrou com a parceria que fez com Vinícius, o poetinha, e nunca mais saiu de seu pedestal, muito embora ainda não receba todo o louro e toda a glória que muitos dos tidos figurões da nossa Mpb receberam ao longo dos anos.

Abrilhantaram a noite de Toquinho, Ana Costa, Maria Creuza, Leo Gandelman, Glauco Lourenço, e pasmem, Mallu Magalhães. Ah é, (putz) Paulo Ricardo também.

Há que diga que nossa música hoje sofre fortemente com a falta de talento, com a especulação mercadológica, com as bandas malucas de teens que surgem a cada esquina, e que fazem sucesso, e tudo mais. Bem, pode ser um pouco disso sim, mas Paulo Ricardo, Deus do céu. Ele não canta há tempos, "Tarde em Itapoã" então, sem chances. Foi o que deu uma estragadinha no show. Até a mortinha da Mallu, que faz um estilo "Oasis" na pose de "eu sou foda", e que depois manda um sorriso juvenil de "Maysa versão 2000", mandou bem. Descobri que ela é boa quando muito bem preparada com retorno e etc, e que o problema mesmo é o que ela canta.

Tirando todo o sarcasmo, deu pra gostar do que foi apresentado. Senti falta de Badi Assad com Toquinho em "Sinal Fechado", mas a vida é assim, nem sempre temos o que queremos ter. (Isso pareceu letra de música dos anos 80.) Mas sabe, tudo isso, até mesmo o que eu escrevo... um dia... Descoloriráaaaa...


Fiquem agora com o link para o clip animado de Aquarela:
http://www.youtube.com/watch?v=kdb20favid0&feature=related

11 de ago de 2010

Presidenciáveis na Band

Fiquei devendo um breve parecer sobre o debate dos presidenciáveis na Band e temo dizer que a pessoa que salvou o debate, fazendo dele um instrumento de cobrança e contra-argumentação, foi o canditato do PSOL, que feliz ou infelizmente não possui tanta expressão política.

Indo ao que interessa, participaram do debate, Dilma Rousseff do PT, Marina Silva do PV, Plínio de Arruda Sampaio do PSOL e José Serra do PSDB. Nossos presidenciáveis foram coordenados por Ricardo Boechat e notadamente, todos estavam bastante tensos.

A grande expectativa era de que Dilma se sairia muito mal, o que não aconteceu. Que Serra fosse se sair muito melhor do que de fato foi e que Marina seria a oposição, o que também não aconteceu. Espere um segundo, esqueci de alguém? Claro! Plínio, o Mister Burns brasileiro. O candidato do PSOL fez o confronto de ideias que todos estávamos esperando partir de Marina. O camarada falou com o telespectador, interpretou as repostas de seus adversários e mudou todo o esquema.

Plínio ligou a imagem de Marina a Lula a todo momento, logo, Marina não obteve o resultado que esperávamos já que posou de "situação" com sua postura ética sobre o que é melhor para o Brasil, que oposição não lhe interessa mais e que o importante é a sucessão. Mister Burns também sacaneou Serra ao interpretar suas respostas mostrando que o tucano é o mesmo de sempre, embora agora ostente um sorriso mais branco no rosto. Dilma, surpreendentemente mais bem preparada que o esperado, e absolutamente a mais nervosa, foi a grande beneficiada com este debate. A pergunta que fica é: teria o PSOL colaborado para esta situação? No caso de sim, com que interesse? Seria o início de uma aliança? Ficou claro que o candidato do partido atacou mais vorazmente a Serra e Marina e esta postura favoreceu Dilma.
Pelo jeito, este debate nos deu apenas o que podem ser as cenas para os próximos capítulos.

4 de ago de 2010

Quem nunca pecou...

Muito está se falando sobre o caso diplomático da mulher iraniana que foi condenada à morte sob a acusação de adultério. O caso está ganhando proporções nunca antes vistas, mobilizando o mundo inteiro para uma questão chamada Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Talvez os olhos do mundo estejam sobre o Irã hoje por culpa do relacionamento polêmico que o Brasil teve há pouco com o país. O que quero dizer é que é muito simples pegar uma declaração infeliz de nosso presidente e transformar tudo isso num grande palco para os loucos da mídia dançarem felizes, mas mulheres como esta morrem aos montes, apedrejadas, enforcadas, e de outras formas bárbaras porque é assim que países com leis desumanas e arbitrárias funcionam. Até hoje na África mulheres são mutiladas quando atingem o auge da fertilidade. "Ora, para que se importar com a África? Deixe que eles se matem para que depois, os grandes exploradores do mundo possam dividir os diamantes e demais riquezas de um dos maiores paradoxos da Terra."

O que esperar de tudo isso? Que o mundo enxergue neste caso uma oportunidade de ponderar sobre os Direitos Humanos e intervir sim, Senhor Presidente, na lei e na forma com que países arcaicos lidam com a lei, para que a vida seja respeitada. Isto é viver em sociedade.

Atire a primeira pedra você, então.

23 de jul de 2010

Up te deixa Up

Seguindo minha saga pelos filmes "atrasados", me deparei com Up. Se tivesse de dar um adjetivo pra este filme, sinceramente, diria que é o filme de animação mais fofo que já vi.

Sabemos que animações são sempre muito apelativas aos sentidos, porque como não se tratam de atores em cena, cada gesto, cada olhar e testura é pensado com muito cuidado para que o objetivo do filme seja atingido e que o espectador sinta o máximo de verdade naquilo que está vendo, e Up sabe muito bem como fazer você se sentir dentro do contexto.

Como sempre, não vou me prender à história do filme em si, no entanto cabe ressaltar que sua mensagem é de uma sensibilidade muito grande. O longa que abriu o Festival de Cannes 2009 mereceu mesmo levar o Oscar de Melhor Animação e Trilha Sonora (Michael Giacchino), que definitivamente dá um charme todo especial ao filme.

Assista Up. Eu recomendo.

(Ellie e Carl)


FICHA TÉCNICA

(Up, 2008)
Diretor: Pete Docter
Elenco: Vozes na versão original de: Edward Asner, Christopher Plummer, John Ratzenberger, Jordan Nagai. Voz na versão original de Chico Anysio.
Produção: Jonas Rivera
Roteiro: Bob Peterson
Fotografia: - animação -
Trilha Sonora: Michael Giacchino
Duração: 96 min.
Ano: 2008
País: EUA
Gênero: Animação
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Estúdio: Pixar Animation Studios / Walt Disney Pictures
Classificação: Livre

Sinopse
Carl Fredricksen (Chico Anysio, na versão brasileira) passou toda a sua vida sonhando em explorar o planeta e viver plenamente a vida. Porém, aos 78 anos, a oportunidade parece ter passado por ele até que uma reviravolta do destino e um persistente explorador da natureza de oito anos, chamado Russell, dão-lhe uma segunda chance na vida.

12 de jul de 2010

Quero ser herói!

Se você curte filme de ação, quadrinhos, e é meio nerd a ponto de ter desejado em algum dia de sua vida ser um super-herói, vai se amarrar em Kick-Ass.

Surpreendentemente um bom filme de ação com doses de comédia e cenas de violência à la Tarantino, o filme me pareceu uma das melhores adaptações de quadrinhos para as telonas, uma adaptação que deixa todo bom fã de X-men como inveja pura das cagadas que foram feitas com a equipe de mutantes.

Além da loucura que foi ter Nicholas Cage em um filme de ação bacana, a atuação de Aaron é boa. O camarada já não é nenhum iniciante, entretanto, ouso dizer que não foi a melhor coisa do filme. É como se o Kick-Ass ficasse propositalmente em segundo plano, e não é pra menos, quando Hit Girl entra em cena, quem, em sã consciência ficaria lembrando de Kick-Ass?!

Um filme sem grandes efeitos especiais, ou melhor, efeitos que não chamam tanto a atenção, praticamente limitados às cenas empolgantes de combate da dupla Big Daddy e Hit Girl, Kick-Ass traz mais do que apenas pancadaria e morte. A sensação é de leitura de uma boa publicação, com uma narrativa fluida, cronológica, interessante e jovial. Um filme adult-teen pra ninguém botar defeito.

(Hit Girl à paisana)

FICHA TÉCNICA

(Kick-Ass, 2010)
Diretor: Matthew Vaughn
Elenco: Aaron Johnson, Nicolas Cage, Clark Duke, Lyndsy Fonseca, Christopher Mintz-Plasse, Chloe Moretz
Produção: Adam Bohling, Tarquin Pack, Brad Pitt, David Reid, Kris Thykier
Roteiro: Jane Goldman, Matthew Vaughn
Fotografia: Ben Davis
Trilha Sonora: Ilan Eshkeri
Duração: 118 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Universal Pictures Brasil
Estúdio: Marv Films / Plan B Entertainment
Classificação: 18 anos

Sinopse
Dave (Aaron Johnson) é um jovem do estilo loser que decide se reinventar, costurar uma fantasia e se tornar um super-herói no mundo real. Kick-Ass, codinome usado pelo inocente garoto, parece fadado ao fracasso por não ter o tipo físico dos heróis e nem as habilidades especiais até perseguir bandidos com suas armas de verdade. No entanto, ele não é o único super-herói por a: a destemida e altamente treinada dupla de pai e filha, Big Daddy (Nicolas Cage) e Hit Girl (Chloe Moretz). Aos poucos, a dupla abala o império de crimes do mafioso local Frank D’Amico (Mark Strong), que vai levar Kick-Ass a provar se está realmente pronto para ser um super-herói.

2 de jul de 2010

Nas graças do cinema Brasil

Dias atrás a rede Globo exibiu um filme. Como estava com sono fui me deitar para esperar o sono chegar, no entanto, Verônica me proporcionou uma surpresa bastante interessante. Quem é que nunca, preconceituosamente, duvidou de um filme brasileiro? Sabemos que mesmo após "a retomada", ainda sofremos com a falta de verba para as produções, ficamos um pouco distantes da cultura dinamisada difundida pelo cinema norte-americano no que diz respeito à linguagem imagética, e os recursos tecnológicos de que dispomos, de longe, por serem tão caros, nos são raros. Isto tudo, porém, não significou nada nas mãos do diretor Maurício Farias.

Ação. Suspense. Drama. Estes foram os elementos que pude captar de um filme como Verônica. A atuação de Andréa Beltrão, por exemplo, é impecável, e isto não é nenhuma surpresa, aliás, todo o elenco me pareceu perfeito.

Aparentemente uma produção simples, o filme nos mostra uma realidade tão comum no Rio de Janeiro, que fica difícil não pensarmos que poderia se tratar de uma obra baseada em fatos, mesmo que em menor proporção, é claro.
Corrupção, esperança, fé, coragem. Verônica é um filme que merece ser visto, uma mensagem que precisa ser interpretada, uma obra de arte que nos faz pensar no quanto o cinema brasileiro caminha rumo a um futuro bom, promissor mesmo, e não estou falando dos cavalos que são os prediletos pelos apostadores, estou falando do azarão, aquele que em um dia, ganha por um nariz. Assista Verônica, eu recomendo.

(Verônica e Leandro.)


FICHA TÉCNICA

(Verônica, 2008)
Diretor: Maurício Farias
Elenco: Andréa Beltrão, Matheus de Sá, Marco Ricca, Giulio Lopes, Andréa Dantas, Patrícia Selonk, Flávio Migliaccio, Camila Amado, Aílton Graça, Jorge Lucas.
Produção: Silvia Fraiha
Roteiro: Maurício Farias, Bernardo Guilherme
Fotografia: José Guerra
Trilha Sonora: Toninho Muricy
Duração: 87 min.
Ano: 2008
País: Brasil
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida
Classificação: 12 anos


Sinopse
Verônica (Andréa Beltrão) é professora da rede municipal de ensino do Rio de Janeiro há 20 anos. Um dia, na escola onde trabalha, percebe que ninguém veio buscar Leandro (Matheus de Sá), um aluno de oito anos. Já é tarde da noite quando a professora decide levá-lo em casa. Ao chegar no alto do morro, descobre que traficantes mataram os pais de Leandro e querem matá-lo também. Sem querer, ela se envolve numa trama de crime e corrupção.

29 de jun de 2010

Lugar comum

Michael Jackson foi o maior Rei que o mundo conheceu. Sua vida polêmica, sua excentricidade, todas alegorias que pertencem a um grande astro da música e não nos deixam mentir. Ele marcou uma geração, influenciou toda uma era com sua dança e música, estava prestes a mostrar ao mundo que a idade não lhe significava absolutamente nada. Exigente, dedicado, disciplinado e obsecado pelo trabalho, o maior artista pop do planeta pagou o preço exigido por tamanho esforço e não conseguiu, após longos anos fora dos palcos, mostrar o que tanto tinha de importante e reservado para seu imenso público: "love".

(This is it)

God save the King!

21 de jun de 2010

A Gana de Dunga

"Juro que pensei um pouco. Parei, refleti, julguei, e não tem como ficar tão abstênio em situações como esta. A agenda setting está aí e quem sou eu para negá-la neste momento?"


A copa do mundo para o Brasil. Este é o tema deste pequeno texto, que no entanto, não terá como foco a pseudo-identidade nacional que se inflama com os jogos, ou o infortúnio comemorado dos pontos-facultativos em dia de jogo, muito menos se o ópio do povo continua sendo de fato o futebol. Este texto terá como foco, mais uma vez, a imprensa.

Imagine você que o Brasil, com aquela seleção duvidosa escalada por Dunga, acaba de vencer da Costa do Marfim com um placar interessante de três a um (3x1). O jogo foi bom, "pegado" como se costuma dizer. A Costa do Marfim tentou de todas as formas superar o Brasil, porém, sem sucesso. O chato é que quando o desespero bate no futebol, a confusão e as faltas tomam a cena do que tinha tudo para ser um perfeito espetáculo. O árbitro da partida, incompetente, coitado, este foi vítima de toda uma situação que quase termina em pancadaria pura. Ao final, o saldo foi: a saída de Elano, vítima de agressão numa entrada dura até demais; a expulsão de Kaká num lance em que ele nada fez; e outros três jogadores do Brasil visivelmente agredidos em lances sem punição, além de toda a confusão que se instaurou no jogo por longos dois minutos. Resultado: um técnico irritado.

Dunga, desde que assumiu a seleção tem sido alvo da opinião e crítica de todos os mais de 180 milhões que gritam "Avante Brasil". Agora então que fechou os treinos da seleção para a imprensa (um direito que lhe compete) o ex-jogador cutucou a onça com a vara curta. Dunga acabou com o assunto da impresa. A Globo, por exemplo, montou uma parafernalha incrível somente para cobrir a seleção na Copa. A atitude do técnico com certeza desagradou a todos os orgãos de impresa do mundo, mas seus argumentos foram os melhores. Acontece que a imprensa é uma criança mimada, quando desagradada faz pirraça, bico, e até deixa de falar, difamar a seu modo então, é uma especialidade. Pobre Dunga.

Seu dia de Rei terminou mal. Enquanto deveria, telemarqueticamente falando, estar sendo consagrado pela imprensa, Dunga se deixou contaminar pelo stress de seu dia e respondeu a um jornalista como devia, ou melhor, como devia, mas não podia. Usou de um grosseiro tom irônico floreado por um palavrão para responder à altura às provocações daquela criança malcriada que conhecemos como imprensa. Ele também não é de ferro.

O chefe da nossa seleção se encontra num dilema já mencionado por ele anteriormente: se fala pouco é reservado demais, não gosta da imprensa, se fala mais e rebate críticas é rancoroso e grosseiro, é difícil encontrar o equilíbrio do meio termo para Dunga. Mas não se preocupe, os dilemas são democráticos. A imprensa por exemplo, como toda criança é grande para umas coisas e para é pequena demais... Como neste episódio. Mas olha, Alex Escobar, conta tudo pra sua mãe, cara!(Na foto, o técnico Dunga na ocasião de sua primeira coletiva na África do Sul)
Foto: Getty Imagens
Fonte: www.abril.com.br

11 de jun de 2010

Alejanda-te

Ela de novo. Lady Gaga, a nova estrela mundial da música pop gerou polêmica com seu novo clip "Alejandro" e não foi por ter colocado seus dançarinos com sungas minúsculas, calçando meias-arrastão e sapatos de salto-alto em um cenário quase homoerótico. O novo clip da cantora levantou uma pergunta: quem é Lady Gaga?

(Imagem extraída do clip "Alejandro".)

Em sua mais nova versão Madonnesca, ou seria melhor dizer Madonnífica, já que o hibridismo repaginado de Gaga-Madonna parece ter se saído muito bem obrigado, Gaga atacou mais uma vez com audácia, mas dividiu opiniões. As referências à rainha do pop foram diversas: peitos com metralhadora, cama com estrutura de metal, cenas insinuantes de sexo, semi-nudez, cordas, luxúria e sensualidade. Há quem diga que o próprio ritmo e um figurino em especial que lembra o hábito de uma freira, remetam a "La Isla Bonita" de Madonna. Entretanto, a esquizofrenia saudável de Gaga não ficou de fora ao explorar figurinos estranhos com detalhes em ferro, coreografias inusitadas e um texto imagético cuja narrativa parece psicológica.

A bem da verdade o clip pode ser uma representação da figura da mulher na sociedade atual e o conflito que isto gera, na visão de Gaga, e apesar de toda a postura feminista do clip, com Lady Gaga como protagonista, o foco ainda parece ser um homem. A letra da música insinua conflitos pertencentes ao universo feminino e obviamente quando ela escolhe colocar todos os dançarinos vestidos praticamente de forma idêntica, como um único arquétipo, ela nos remete ao feminismo de "todos os homens são iguais".

Não importa mais quem é Lady Gaga. A jovem cantora de 24 anos atingiu o ápice da fama numa carreira meteórica de escala mundial em menos de dois anos, um verdadeiro fenômeno. Esta é apenas mais uma de suas facetas. Goste dela ou não, se em seu novo show a apresentação de "Alejandro" for como nos moldes do clip, a turnê "Na cama com Madonna" ficará na história, apenas.

Youtube link: http://www.youtube.com/watch?v=niqrrmev4mA

7 de jun de 2010

Dorian Gray

O que dizer de um filme que vence suas expectativas? Conheço a obra, aliás, esta história além de conhecida já foi contada algumas vezes e mesmo assim, ciente do que estava por vir, resolvi assistir ao filme. O que consegui com isso? Uma grata surpresa.

A atuação de Ben Barnes realmente me surpreendeu. Para quem não lembra do cara, ele viveu o Príncipe Caspian (The Chronicles of Narnia: Prince Caspian, 2008) e como protagonista de Dorian Gary o jovem artista deixou marcada sua passagem pelo cinema, mesmo que de uma forma tímida, pois não me recordo de qualquer apelo midiático na ocasião do lançamento do filme e de forma inexplicável o filme não foi parar nas telonas. O filme em si passa a ideia de um clima sombrio, instigante e interessante o suficiente para provocar o efeito de imersão que tanto busco e gosto nos filmes que escolho ver. A trama já conhecida baseada na obra de Oscar Wilde (O Retrato de Dorian Gray) poderia significar um obstáculo à apreciação da obra, mas ao contrário, cria uma expectativa muito grande pela representação da corrupção da alma da personagem princpal.

Fotografia simples e direta tal qual a narrativa. Linguagem de câmera na dosagem correta. Dorian Gray é definitivamente um filme que merece ser visto e Ben, um ator que merece maior espaço. Nada mais a dizer.


(Dorian Gray vivido por Ben Barnes.)


FICHA TÉCNICA

(Dorian Gray, 2009)
Diretor: Oliver Park
Elenco: Colin Firth, Ben Barnes, Rachel Hurd-Wood, Rebecca Hall, Emilia Fox, Ben Chaplin, Caroline Goodall
Produção: Barnaby Thompson
Roteiro: Toby Finlay
Fotografia: Roger Pratt
Duração: 112 min.
Ano: 2009
País: Reino Unido
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Não definida

Sinopse
Dorian (Ben Barnes) é um belo jovem privilegiado que deseja que sua imagem em uma pintura envelheça em seu lugar. O que ele considerava uma vantagem, se torna uma maldição, e quanto mais velho e corrupto Dorian fica, o retrato guardado no porão se torna um monstro.

Principe da Pérsia

Galera, vi algumas poucas coisas por aí como "Principe de Brokeback" e etc, críticas de algum mal gosto. Na minha opinião, Príncipe da Pérsia está disputando com Fúria de Titans e demais filmes do gênero, pelo melhor filme de sessão da tarde do ano.

Tudo bem, o filme é bom e os efeitos são muito bacanas! As cenas de parkour são formidáveis e a fotografia é realmente impecável. A atuação de Jake Gyllenhaal me remeteu a Brendan Fraser em O Retorno da Múmia (The Mummy Returns, 2001), aliás, o filme todo parece obedecer a um ritmo muito semelhante de ação intercalada com momentos de pausa interpretativa e vislumbre dos cenários, realmente muito bem delineados, devo reforçar.

A única coisa que me pareceu realmente forçada foi uma cena de romance no ápice da trama. Sabe quando você está naquele ponto do filme em que o mundo pode acabar e tudo depende do mocinho? Daí vem a mocinha e tasca-lhe um beijo apaixonado e o mundo parece parar diante das juras de amor? Pois é... Obvio que não é bem por aí, mas que a coisa quebra o clima de vez, quebra.

Ao final das contas, o saldo é positivo. Cabe aqui o meu conselho: se você jogou o game e decidiu ver o filme, não alimente grandes expectativas. Agora, se você viu o filme, gostou e ainda curte games, adquira imediatamente o seu e descubra o quanto ele é melhor que o filme.

(O casal Dastan e Tamina.)

FICHA TÉCNICA

(Prince of Persia: The Sands of Time, 2010)
Diretor: Mike Newell
Elenco: Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Toby Kebbell, Richard Coyle.
Produção: Jerry Bruckheimer
Roteiro: Carlo Bernard, Jordan Mechner, Doug Miro, Boaz Yakin
Fotografia: John Seale
Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams
Duração: 116 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Buena Vista Pictures
Estúdio: Jerry Bruckheimer Films / Walt Disney Pictures
Classificação: 12 anos

Sinopse
Baseado no famoso game, o filme conta a história do príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal) que precisa ajudar seu pai na luta contra inimigos que ameaçam seu reinado. Mas tudo se complica, porém, quando ele encontra uma adaga mágica, capaz de mudar a história. Induzido por um feiticeiro moribundo, Dastan acaba transformando todo o reino em um lugar demoníaco e agora somente ele poderá desfazer a maldição.

28 de mai de 2010

Que fúria que nada

Então, furioso estou eu. Poderia ter vivido Um Dia de Fúria (Falling Down - 1993) ao constatar que o trailer de Fúria de Titans é muito melhor que o filme em si, mas nem mereceria o trabalho.

"Perseus". Este era pra ser o nome do filme porque afinal, os poderosos Titans são citados apenas no início, e o foco da história se passa em torno da velha e inspirada, conhecida história de Perseu. O filme é tão focado nele que nem Andrômeda, que diga-se de passagem não estava lá tão bela assim, ganhou algum destaque.

Os efeitos são excelentes sim, a primeira aparição de Hades é fantástica, enfim, tudo aquilo que todo Rpgista adoraria ver em um filme, mas como disse Cid Moreira em A Bíblia Sagrada "nem só de pão viverá o homem". Repito: estamos numa era em que efeitos especiais são praticamente requisito, então, de nada adiantam os efeitos se o roteiro não é no mínimo bom, se os atores não colocam espírito nas cenas, enfim, um filme é mais que apenas boas imagens digitais e pra mim, Fúria de Titans poderia passar na sessão da tarde sem problemas.

A bem da verdade, uma série de filmes com temas "gladiadorais" ou lendário-mitológicos foram produzidos recentemente, talvez dado ao sucesso de filmes como Gladiador, Senhor dos Anéis, Piratas do Caribe, 300, e tantos outros. Minha impressão é que, ao final das contas, existe hoje um desgaste deste tipo de filme. Os roteiros não fogem muito à regra, nem conseguem inovações já que a maior parte deles é uma adaptação.

Seguindo o exemplo de Bárbara Heliodora, digo e repito: que filminho sem graça.

(A górgona Medusa.)

FICHA TÉCNICA

(Clash of the Titans, 2010)
Diretor: Louis Leterrier
Elenco: Sam Worthington, Ralph Fiennes, Liam Neeson, Gemma Artenton, Danny Huston, Alexa Davalos, Izabella Miko, Jason Flemyng, Luke Evans.
Produção: Kevin De La Noy, Basil Iwanyk
Roteiro: Phil Hay, Matt Manfredi, Travis Beacham
Fotografia: Peter Menzies Jr.
Trilha Sonora: Ramin Djawadi
Duração: 118 min.
Ano: 2010
País: EUA/ Reino Unido
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Warner Bros. / The Zanuck Company / Thunder Road Film / Legendary Pictures
Classificação: 14 anos

Sinopse
Perseus (Sam Worthington) é o único que pode salvar sua família de Hades (Ralph Fiennes), um vingativo deus da terra dos mortos. Sem nada a perder, ele lidera uma missão para derrotar o vilão, antes que ele alcance os poderes de Zeus (Liam Neeson), rei de todos os deuses. Inicia-se, então, uma jornada por mundos desconhecidos.

26 de mai de 2010

Ligando para pedir comida

- Alo.
- Alô. É do Spoleto?!
- É sim.
- Eu quero fazer um pedido pro número 23...
- Olha só, será que o senhor poderia me informa o endereço?
- Sim, mas é que eu tenho cadastro aí, então eu imaginei...
- É porque eu tô com o meu computador desligado, então vai ter de informar o endereço todo mesmo.

(Merda. Não sei de cabeça, estou no trabalho.)

(Tendo dito o endereço.)

- Anotou?
- Sim, anotei sim senhor. Qual é o número do telefone?
- Dois, três, três, quatro...
- Dois, três, quatro, o quê?!
- Não, dois, três, três, quatro...
- Eu não entendi, três, quatro, dois, três?!
- Não, dois, três, três, quatro!!
- Ah, dois, dois três, três.
- Não!! É DOIS, TRÊS, TRÊS, QUATRO!!
- Olha eu não to entendendo, porque ao invés de falar um número por vez você não fala assim vinte e três, trinta e dois...
- O NÚMERO É VINTE E TRÊS, TRINTA E QUATRO...
- Ah, sim, agora eu entendi.

(Já sem qualquer paciência.)

- Qual é o pedido?
- Ok, eu quero...

(Feito o pedido.)

- Quanto fica?
- Fica xx reais. Será que você poderia ligar para o nosso outro número de telefone. É que essa linha é usada para o cartão de crédito e você está prendendo a fila.

(Que absurdo!)

- Acho que não precisa, eu já terminei meu pedido, não?!
- Ah, é mesmo!
- Obrigado, viu?

Enquanto tem um monte de gente querendo trabalho, essa aí está jogando o dela fora.

24 de mai de 2010

Mirian Leitão-Assado

A rádio CBN fez uma série de entrevistas com os pré-candidatos a presidência, a se saber, o prefeito José Serra, a ministra Dilma Rousseff e a senadora Marina Silva, um por semana a cada segunda-feira, pois bem. Hoje foi a vez de Marina Silva. Não estou nem vou aqui levantar qualquer tipo de bandeira política, o voto é secreto e eu defendo este direito, nem significa que pelo fato deu ressaltar aqui a brilhante fala de Marina, hoje, que eu votarei nela ou que apóio seu partido ou até mesmo sua candidatura. O que faço aqui é uma observação breve sobre o que significa a mídia e seu jogo deplorável de tentar derrubar certos direitos que são fundamentais, oriundos de uma sociedade democrática.

A comentarista de economia, Mírian Leitão, que embora tenha falas muito duvidosas e confusas em termos conceituais sobre o que de fato representa nossa economia, foi questionar Marina Silva sobre seu posicionamento contrário ao plano real e demais assuntos de foco econômico no passado. A senadora refletiu dizendo que por diversas vezes reconheceu, e até publicamente, que errou sim ao julgar determinados temas com pouco tempo hábil para uma boa avaliação do que é bom para o Brasil, e mais uma vez reconheceu seus erros. Então, valida de algum tipo de deselegância fantasmagórica, que diga-se de passagem, não percebi em nenhum outro comentarista ou em qualquer outra entrevista, surge Mírian mais uma vez questionando Marina sobre se o eleitorado poderia confiar em alguém que muda de opinião, o que nos garantiria que ela não mudaria de opinião mais uma vez. Apesar de ser completamente desnecessário desbancar este argumento biltre, resta sinalizar o que disse Marina (em outras palavras, muito menos bonitas que as usadas pela senadora): se Mírian Leitão hoje é aliada do meio ambiente expondo em seus comentários visões alternativas e etc, há que se respeitar o direito das pessoas de reconhecerem seus próprios erros e modificarem para melhor sua visão de mundo, para que o Brasil saia ganhando.

Portanto, não me importa muito o que você pensa agora, mas se eu fosse presidente criaria um ministério que infelizmente ainda se faz necessário no Brasil, seria este o ministério da ética cujo bastão eu passaria sem questionar à Marina. Como ela mesma diz "o que interessa é discutir o que é pertinente para o Brasil". Que venham aqueles que pretendem pelos métodos antiquados bagunçar a ordem das coisas, e que terminem assim, em silêncio e sem resposta, porque aquele que cala consente.

19 de mai de 2010

Lula-Allah, brilhou uma estrela

Ao meu ver, este foi o mais novo tiro no pé de nosso caríssimo presidente. Mesmo detestando ditados populares, e nunca sendo bom neles (já fui comparado ao Chapolin Colorado ao declamá-los) não posso deixar de lembrar que "quem com porco se mistura, farelo come". Chamem-me reacionário, direitista, mas quando o assunto é política e economia internacionais não dá pra ser minimalista, nem muito menos leviano.

O Brasil se meteu com o país mais trevoso dos últimos anos, o Irã, e nem precisamos mencionar o porquê de chamá-lo assim. A grande jogada seria mediar um acordo de troca de tecnologia nuclear entre o Irã e a Turquia, ok. Até aí, não iremos discutir se por debaixo dos panos, o urânio com baixo nível de enriquecimento que a princípio seria utilizado para fins médicos, seria mesmo. Acontece que o mundo ocidental não está afim de "bater palma para maluco dançar" e neste jogo de interesses, o Brasil perde popularidade com quem de fato interessa. Pro escambal com futuras negociações com um país que nega o Holocausto, neste momento andar com os "mocinhos" era sim a melhor escolha. Fomos usados pelo oriente negro e essa postura pode trazer uma instabilidade política se continuarmos apostando na mesma ficha.

14 de mai de 2010

Désolé

Se o "Fantástico mundo de Bob" fosse de um cara que acredita que o mundo vai acabar, certamente a coisa toda aconteceria da forma que em 2012.

Eletrizante. É isso que eu acho. A dinâmica é excelente, tiradas tipicamente Americanas, e quem não gosta de uma carteirada? Ou quando alguém que está prestes de ser humilhado dá o troco à altura? Pois é, o filme começa praticamente assim. Na verdade é uma grande viagem de Roland Emmerich. Tá certo, o cara sabe o que faz. Sua vasta experiência com destruição passei pela porradaria de "Soldado Universal", pelos ets loucos de "Independence Day", pelo gigantismo extraordinário de "Godzilla", é um senhor currículo para filmes de ação. Só que, a loucura passou um pouco dos limites e degringola definitivamente quando a família central do filme, aquela com o casal divorciado, mãe dedicada e padrasto bacana, dois filhos pequenos pé-no-saco e o pai zero à esquerda fogem do inacreditável, do impossível.

Olha, se a intenção foi alertar o homem sobre a problemática ambiental, e que toda a política de extravismo predatório pode ser seriamente nociva à civilização, se a intenção foi reforçar o patriotismo norte-americano enaltecendo o poderio da bandeira, o sacrifício desta nação em nome do mundo, ou ainda, nos alertar sobre o perigo previsto pelo calendário Maia, nunca saberemos, ou melhor, eu não saberei porque não vou perguntar a Roland. O que importa é que o cara fez o que muitos de nós sempre desejou fazer num dia de fúria com poderes divinos, destruir o que vier pela frente, sem medir consequências.

Os efeitos salvam um pouco o roteiro, mas não dá pra perdoar a família imortal. No fim das contas se tivesse de dizer algo para Emmerich, mesmo sendo ele alemão, diria em bom sotaque francês, Je suis désolé.


(Precisa mesmo de legenda?)


FICHA TÉCNICA

(2012, 2008)
Diretor: Roland Emmerich
Elenco: John Cusack, Chiwetel Ejiofor, Danny Glover, Thandie Newton, Oliver Platt, Amanda Peet, Tom McCarthy, Chin Han, Woody Harrelson.
Produção: Roland Emmerich, Larry J. Franco, Harald Kloser
Roteiro: Roland Emmerich, Harald Kloser
Fotografia: Dean Semler
Trilha Sonora: Harald Kloser, Thomas Wanker
Duração: 158 min.
Ano: 2008
País: EUA
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Sony Pictures
Estúdio: Sony Pictures Entertainment / Centropolis Entertainment / Farewell Productions
Classificação: 12 anos

Sinopse
A cultura maia previu que a Terra, como a gente conhece, terá um fim no ano de 2012. A teoria revela que o fim da Terra começa com o alinhamento planetário e uma inversão dos pólos do planeta, após um grande tsunami. Após isto, o caos instala-se e o nosso mundo começa a se tornar inabitável.

Abaixo ao cinema!

É mais ou menos assim, ou a gente pára com o recalque e passa a admitir que aquele filme que deu um mega-trabalho pra ser feito em função dos recursos visuais empregados, é bom, por mais que o roteiro não seja lá essas coisas, ou cinema nunca mais!

Não interessa a previsibilidade, se assim o fosse, qual seria o filme mais original dos últimos tempos? Eu me faço esta pergunta constantemente e não obtenho resposta. Vivemos em um mundo que nos proporciona uma enxurrada de informações a todo instante e para um fã de histórias em quadrinhos e desenhos dos mais variados como eu, talvez não exista um roteiro completamente imprevisível e original ao extremo há uns bons 20 anos, salvos os que chegam com novas tecnologias e demarcam uma era como "The Matrix", ou aqueles que não passam por "Hollywood", bem como as produções independentes. Por este motivo, deixei para ver Avatar somente agora que a poeira está tão baixa quanto lava fria, e assim, fazer minha crítica.

Penso que a dinâmica do filme deixa um pouco a desejar no início, como se a necessidade de colocar tudo dentro daquele espaço de tempo pré-determinado não fosse ser suficiente para tanta informação. Se o diretor tivesse perdido um pouco mais de tempo com os detalhes, inclusive utilizando o enquandramento mais fechado, talvez não tivesse passado essa impressão, mas passa, e passa mesmo. O filme acaba proporcionando uma grande imersão independente de parecer a versão milhonária de Pocahontas. Num dado momento já não queria mais voltar para a base dos humanos que constrasta perfeitamente com "Nagrand" (momento nerd aos fãs de Wow). Não é o filme do ano, até porque é de 2009, mas é bom no que se propôs ser, sem grandes revoluções apesar da perfeição dos efeitos.

E quem em perfeita consciência não quer um final feliz? Qual é! Isso não é coisa pra gente que vê novela só não, somos humanos, a felicidade é o caminho, basta à psicopatia! Elite intelectualóide de plantão, chega de querer surpresas com roteiro! Ok, Matrix surpreende um pouco, afinal, o Mr. Smith disse "Why Mr. Anderson, why... why... why you persist?". Porque a vida é assim, todos sabemos que as eleições estão chegando, talvez façamos o nosso melhor, mas não importa quem vai sentar na cadeira do presidente, no final, acabará parecendo idiota.

(A Na'vi Neytiri)

FICHA TÉCNICA

(Avatar (2009), 2009)
Diretor: James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Sigourney Weaver, Michelle Rodriguez, Zoe Saldana, Giovanni Ribisi, Joel Moore.
Produção: James Cameron, Jon Landau
Roteiro: James Cameron
Fotografia: Mauro Fiore
Trilha Sonora: James Horner
Duração: 150 min.
Ano: 2009
País: EUA
Gênero: Ação
Cor: Colorido
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Twentieth Century-Fox Film Corporation / Lightstorm Entertainment / Giant Studios
Classificação: 12 anos

Sinopse
No futuro, Jake Sully (Sam Worthington) é um ex-militar paraplégico que é levado a outro planeta, Pandora, habitado pelo povo Na'vi, raça humanóide com língua e cultura próprias. É nesse lugar que ele lutará pela própria sobrevivência e pela vida dessas estranhas criaturas.

11 de mai de 2010

Vergonha de ser brasileiro

Poucas vezes tenho vergonha de ser brasileiro. Nosso território é um dos mais ricos em diversidade, quase não sofremos com desastres naturais, e a bem da verdade, quando aqui ocorrem foi porque de uma forma ou de outra, o homem pôs seu dedo lá.

Ser brasileiro, a despeito da propaganda positivista do governo, é muito bom. Nosso povo troca a polidez europeia pela cortezia latina, transforma até em jeitinho, acreditem. Temos o dom da criação e do improviso, pois não foi afinal um médico brasileiro que numa cirurgia de coração usou a super cola para estancar um sangramento?!

Mas veja só, existe algo de podre no Brasil, e isto está instalado não nas ruelas do morro, beirando as muralhas do tráfico, está no senado, no leito do poder, onde uma cambada de desonestos e incapazes fingem dirigir um país. Não é nenhuma novidade, nem sou o primeiro a dizer isto com todas as letras, temo que ainda não serei o último, o que é uma pena. Mas o motivo desta revolta é que com tantos brasileiros passando fome, ainda hoje sem acesso à saúde, energia elétrica, dinheiro, ou qualquer outra coisa que lhes confira cidadania, nossos poderosos querem tirar férias de dois meses para assistir aos jogos da Copa. Faça-me o favor! A latrina do Brasil está em Brasília, definitivamente, nada a declarar.

Só uma frase ressoa em minha cabeça, uma frase recente do filme Alice. Disse a Rainha Vermelha:

- Cortem as cabeças!!

10 de mai de 2010

Momento W

O mundo vive mais um capítulo da novela da crise econômica européia, ou melhor, uma reprise porque este processo é o mesmo que nos trouxe a crise de 2008, com a diferença que a bola da vez é a Grécia.

Ainda ontem, Grécia era o mais perfeito exemplo de tudo o que deu certo no mundo, pelo menos aos olhos da Europa. Prosperidade teu nome é em grego, mas, como bem conhecemos a história da formiga e a cigarra, parece que os gregos souberam fazer festa, cantar e dançar, mas não fizeram o dever de casa. Hoje, a calamidade econômica que se abate sobre o país não passa de uma relação de discrepância entre o que se arrecada e o que se gasta. Prosperidade teu nome é... É... Qual é o teu nome?

Poderia até dizer Brasil, mas pode ser que amanhã seja a nossa vez. Isto é o que caracteriza o que eu gosto de chamar de Momento W, não que eu tenha criado a expressão, apenas me apropriei dela e a emprego para algo ainda mais abrangente. O termo em si vem da economia, e serve para sinalizar um período de alta, seguido por uma queda brusca, uma nova subida em função de medidas de "salvação" que normalmente acaba acompanhado por uma nova baixa até a subsequente recuperação.

O mundo anda assim, vivendo um Momento W constante. Economicamente não precisamos mais de exemplos, politicamente então... Culturalmente a fratura está exposta há algum tempo. Só me resta torcer para que este seja um momento de baixa do W, que mesmo se estendendo por tanto tempo, finde tão logo quanto puder.

8 de mai de 2010

Alice no país das maravilhas

Muito tem-se dito sobre o filme e minhas expectativas ficaram bastante divididas sobre o que pensar a respeito da obra. Pois bem, qual não foi minha surpresa ao me deparar com mais uma das brilhantes leituras (do que eu gosto de chamar de) "à la Tim B.". Realmente eu não sei o que ele come, fuma ou bebe, eu sei que além da infinita criatividade para o desenrolar das tramas nas quais decide trabalhar, ele tem um gosto e tanto por histórias interessantes e sombrias, pelo Johnny Deep e por sua esposa Helena Bonham Carter.

Com uma ambientação perfeita, Tim Burton apostou de vez nas caricaturas das personagens e extremou os sentidos em sua versão baseada no clássico da Disney. Cada coisa parece ter sido propositalmente colocada no filme como já era de se esperar, e muito embora a Alice vivida por Mia Wasikowska possa parecer um pouco inexpressiva, a única coisa que deixa a deseja de fato é o single de Avril Lavigne, "Alice", que não faz bem jus à atmosfera de loucura real criada pelo filme.

Os recursos visuais acabam dando um toque a mais que exprimem a exata visão de Tim sobre as personagens e sobre o País das Maravilhas em si. Se tiver a oportunidade assista em 3D para completar o charme.

(A Rainha Branca)

FICHA TÉCNICA

(Alice in Wonderland, 2010)
Diretor: Tim Burton
Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Michael Sheen, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Matt Lucas, Alan Rickman, Christopher Lee, Crispin Glover, Stephen Fry
Produção: Richard Zanuck, Joe Roth, Jennifer e Suzanne Todd
Roteiro: Linda Woolverton
Fotografia: Dariusz Wolski
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Fantasia
Cor: Colorido
Distribuidora: Disney
Classificação: 10 anos

Sinopse
Aos 19 anos, Alice (Mia Wasikowska) volta ao País das Maravilhas fugindo de um casamento arranjado. No mundo mágico, ela reencontra com personagens estranhas, como o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), a Rainha Branca (Anne Hathaway) e a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), inspirados na obra de Lewis Carroll. É nessa jornada fantástica que a jovem tentará encontrar seu verdadeiro destino e acabar com o reino de terror da Rainha Vermelha.

7 de mai de 2010

Nem tudo está perdido

Isso mesmo, nem tudo está perdido. Meu silêncio de dias será quebrado com um texto positivo, ao contrário do que a maior parte de vocês pode pensar sobre o meu singelo hábito de criticar veementemente toda a desordem que compreendo como imperdoável, certas vezes me poupo o trabalho e o stress que estes momentos me proporcionam para dar lugar ao que é no mínimo uma fagulha de esperança.

Outro dia mesmo presenciei uma cena interessante. Ao sair do trem, uma mulher pôs-se a passar mal, estava grávida a julgar pelo formato de sua barriga, e consequentemente acabou vomitando. Sozinha, todos passavam por ela sem sequer notar sua aflição. Uma mulher grávida, e que naquele momento se apoiava a uma pilastra, pois talvez estivesse tonta, seria bem fácil de se notar. Eis que surge, em meio ao desprezo comum da rotina das pessoas, um senhor de meia-idade. Ele vai até ela. No caminho, joga fora seu cigarro. Em seguida, põe a mão nas costas da moça massageando com cuidado enquanto ela vomita e em seus lábios a frase "calma vai passar" pôde ser lida com nitidez ao passo em que ele tentava não olhar diretamente para o vômito da moça.

Essa cena pode ter milhares de interpretações psicanalíticas, leituras complexas ou simplórias, mas hoje eu vou falar apenas da importância deste ato para meu ponto-de-vista.

Podemos pensar que o mundo caminha por uma trilha obscura, que os homens continuam se mantando e se digladiando por coisa alguma, no entanto não é verdade. Não saímos mais de nossas casas armados com espadas ou clavas para nos defendermos de eventuais conflitos na rua (mesmo sendo pessimistas). Não tememos a morte pelas mãos da igreja, nem mesmo seremos guilhotinados em praça pública ou enforcados sob a acusação de bruxaria. Não jogaremos os vizinhos ingratos aos leões, embora alguns ainda pareçam merecer, e não mais pregaremos a barbárie como a saída para o dia-a-dia.

Nossos conflitos continuam, é verdade. Muitos deles ainda são armados e embora a maior parte deles tenha migrado para outras instâncias que não o corpo-a-corpo das espadas, ou as trincheiras do tráfico, o fato de tudo isso nos aterrorizar me é um bom sinal. Sinal de que nem tudo cai pelas raias da banalidade, de que nosso nível de exigência está maior, de que estamos aos poucos nos civilizando. Campanhas de solidariedade circulam ao redor do globo com a velocidade "interneteira". Nunca fomos, de fato, tão favoráveis à paz.

Que seja o começo do fim, mas que seja o fim de uma era perturbadoramente ignorante, para compreendermos finalmente que com o novo começo, há de preponderar pelo ímpeto das boas atitudes uma história pautada no bem. Nem tudo está perdido. Eu acredito nisso.

26 de abr de 2010

Postagem minuto

Se os mosquitos entrassem em extinção, seria o fim da picada - ponto, parágrafo e vida nova.



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19 de abr de 2010

Maldita midia

Sim, sou jornalista. Em grande parte do meu tempo me dedico a enxergar a realidade como algo que vai além do que se vê, escuta ou se sabe, nada de dicotomias simplificadas. Justamente por isso, defendo a midia como ferramenta. A ideia de fiscalizar a sociedade com seus próprios olhos passa um romantismo de busca pela perfeição e justiça, como aquele que conhece a si mesmo e julga seus atos de forma justa, aplicando inclusive uma auto-punição, e tudo isso é muito bonito. Então para que demonizar a midia? A problemática parte das empresas que agendam os temas trabalhados pela ferramenta levando em consideração seus interesses coorporativos e econômicos. É complicado demonizar uma ferramenta porque ela depende necessariamente do uso que se dá a ela, de quem a utiliza. Tudo isso para demonstrar o quão saturado estou com relação ao assunto das tais pulseiras coloridas de silicone, que foram chamadas de "pulseiras do sexo".

Minha primeira pergunta é: quem as deu esse nome? Segunda: a pulseira obriga alguém a fazer sexo? Você ganha uma quando transa? "Ouvimos uma criança de seis anos explicando a conotação sexual da pulseira". Ora, prendam os pais dela! Acabe com a novela das oito! Sinceramente, não sei quem foi o esperto que julgou que em algum momento interessava a alguém fazer uma matéria moralista como essa, como se em algum lugar no mundo existisse uma conspiração para sexualizar ainda mais o Brasil - que por si só já se orgulha da mulata pelada no carnaval - introduzindo em nossa cultura as tais pulseiras do sexo. A polêmica acabou contaminando a comunidade escolar e hoje, a prefeitura proibiu o uso do acessório na rede municipal de ensino. O assunto acabou provocando absurdos, e tal como no caso A Escola Base, tudo fruto da irresponsabilidade de gente que não tinha muito o que fazer e investiu na coisa errada. Os comerciantes estão com pulseiras coloridas, porque de fato é o que são, encalhadas nos estoques; escolas estão tomando atitudes de proibição do uso do adereço sob pena de advertência e suspensão; e de quem foi a culpa deste tumulto todo? A maldita midia que resolveu que trazer a informação de que elas, as pulseiras, eram utilizadas com finalidade sexual em algumas festas e em determinados países da Europa, era importantíssimo. Conclusão, um estupro justificado pelo uso da pulseirinha veio à tona. Que notícia, não? Está vendo como eles tinham razão em querer proibí-la? - Pensarão muitos imbecis. Isso tudo não passa de desperdício de espaço que deveria estar sendo dedicado aos nossos problemas com as chuvas, com dinheiro desviado, com mal uso do dinheiro público, com o pouco investimento do estado... E por aí segue o drama.

Depois disso, só me resta recomendar aos camaradas que nos prestaram esse grande serviço de trazer... Trazer um caos bacana para esta cidade nada caótica, que é o Rio de Janeiro... Tirem férias! Quem sabe uma festinha dessas não seria uma boa. Mas não esqueça da pulseira, use a roxo batata violeta que indica: Sou um imbecil, me faça feliz! Só não esqueça da camisinha porque se você espertamente se reproduzir, companheiro, as próximas gerações continuarão correndo sérios riscos.

18 de abr de 2010

À prova de tudo

Inspirado no programa do Discovery Channel, este será um capitulo à parte, para quem quiser sobreviver no Rio de Janeiro.

Se você for largado na Zona Oeste do Rio, cuidado. Este é um ambiente muito ostil, repleto de perigos e armadilhas. Partindo do pressuposto que você estará sem muitos equipamentos, vou mostrar como fazer para sobreviver e chegar à Central do Brasil sem muitos riscos.

O primeiro passo é identificar em que direção fica a estação mais próxima de onde você se encontra. Esta não será uma tarefa fácil. Pelo caminho você será capaz de encontrar com feras selvagens conhecidas como motoristas de ônibus ou vãs. Eles caçam suas presas quando elas se desgarram de suas manadas, o bote é praticamente certeiro. A vantagem é que esta fera anuncia seu ataque ou com um tsh tsh tsh tshhh (no caso do ônibus) ou com uma frase de efeito tipo "calçadão, guanabara, calçadão, guanabara" no caso das vãs. O importante é se comportar de forma que a fera entenda que você não é uma presa em potencial, continue caminhando, figindo não notar sua chegada que ela vai embora. Uma boa dica é não se desgarrar.

Você ainda vai se deparar com muitos obstáculos pelo terreno que é extremamente acidentado. Cuidado com as crateras. Muito provavelmente estão ali há milhares de anos e foram causadas por pequenos meteoritos. As espécies locais estão perfeitamente adaptadas, mas você não. Aqui não tem jeito, é importante observar e ficar sempre atento. Outra coisa vital para sua sobrevivência é não se alimentar de qualquer coisa que encontrar pelo caminho, principalmente se a origem for asiática, não coma "zoelos", "nem esfilas de flango com catupily", nada de "quezo" e se por um acaso visualizar uma poça de guaraná natural, artificialmente manipulado, não beba! De prefência às comidas de astronauta tais como, barrinhas de cereais e goma de mascar, com esses não existe erro.

Se estiver chovendo, o risco aumenta potencialmente. Correntezas comandadas por valões podem arrastar você. Não se arrisque, busque um ponto alto e perca alguns minutos, será mais seguro.

Se você pensava que o desafio tinha terminado, enganou-se. Uma vez localizada a estação, você precisa dispor de uma pequena quantia em dinheiro para pagar seu deslocamento pelo meio de transporte dos locais, o trem. Depois de definir o caminho a se tomar, vem o verdadeiro desafio. Não importa a hora, você acabou de entrar na zona vermelha. Aqui as criatuas mais perigosas são os trabalhadores. Estes que um dia já foram seres humanos, mas durante seu ciclo evolutivo sofrem uma metamorfose e passam a responder mecanicamente aos estímulos do meio ao seu redor. Alguns deles se defendem com um cheiro forte e característico de quem não tomou banho para conseguirem os melhores lugares dentro do trem e não serem esmagados pelos demais. Algumas fêmeas da espécie usam do mesmo artifício, mas ele se dá por uma substância que elas secretam do couro cabeludo. A substância é um pouco viscosa e de fácil identificação, melhor manter distância. Mas o grande problema é que a espécie vive em grupos. Um estouro de uma manada de trabalhadores pode ser fatal! Uma dica é seguir o fluxo e se comportar como um deles, até mesmo para evitar comportamentos mais agressivos.

Se seguir esses conselhos simples, a viagem será concluída com segurança! Mas, lembre-se, nunca confie nos trens. Enquanto estiver dentro deles, reze. Concentre-se em qualquer coisa ou simplesmente abstraia. Existe forte possibilidade de o ar refrigerado falhar (no caso dele ter um), o horário de partida atrasar, ficar parado por minutos intermináveis, e agora, descarrilhar! Isso mesmo. A Super Via, que deveria de se chamar Super Vilã não presta os serviços à altura de seus usuários, que muito embor sejam vistos como espécie inferior, alimentam os bolsos gordos dos inúteis que estão no topo da empresa.

É claro que sobreviver no Rio, não é tão simples. Este foi apenas um dos milhares "À prova de tudo" que virão, mas se você é turista e pretende evitar tudo isso, aqui vai a dica máxima: volte pra casa ou procure outro estado! O Rio de Abril deixou as maravilhas pra trás faz tempo...

13 de abr de 2010

Ser invisível

Sua estrada começa do avesso. No vermelho é que ele corre. Se tivesse música, talvez dançasse. E repete, repete, e repete a partida já vencido pelo cansaço-mormaço que o dia traz. A cor da pele é bronzeada, antes fosse por caminhar na praia, no calçadão de Copacabana. Bacana mesmo só do outro lado da própria imagem refletida nos frios espelhos dos olhos que a passeio, movem-se cegos ao seu redor. Um festival de nãos em meio à alguns obrigados ou apenas a mão estendida a receber a moeda fria que não lhe acende tanto a vontade. Ela mesma já desistiu faz tempo.

E corre à barulho, observa no instinto, disputa constante com o medo de apenas não ser. De olhos baixos, carimbados de malandragem, o rosto é sem brilho mesmo com sol à pino, porque menino ele já não pode ser. A inocência foi perdida, o caráter está marcado, o trabalho não é o certo, nem certo é ter de trabalhar. Matar? Não deve, mas instruir também não vai. Com estudos parcos, exemplo de vida mal vivida caminha este ser invisível ao manto da noite ou à sombra do dia. Está feito, seu nome perfeito é artista, porque assim como a arte, quer simplesmente ter uma vida a que imitar. Enquanto isso ele passeia invisível, ante a olhos vazios que neste pseudo-menino um ser humano são incapazes de enxergar.

9 de abr de 2010

Conversa de Trem

Duas mulheres conversam no trem às 6.40 da manhã de sexta-feira no Rio de Janeiro em direção à central:

- Minina, dexei ela livre esse fim de semana. Ela foi pra casa da Creide passiá ca filha dela.
- Mas quantos anos tem tua garota?
- Doze. E se não ficar de cima dela, hunf, cê num sabe!
- É mermo? Tão pequena e já tão assanhada?
- Menina, essas garota tão nascendo tudo com vocação pá piranha. Mas a minha cria eu não dêxo vagabundo esticar olho em cima! Sangue de Cristo, tá amarrado.
- Mas e aí? Ela deitou e rolou no fim de semana, foi?
- Menina, tu não sabe quem é Creide da rua C?
- Não, nunca nem ouvi falar.
- Então, ela é mãe da barrigudinha.
- O que?! Tá grávida?!
- Não, é gorda mermo.
- Ah, sei qual é, uma que vive na padaria da Dona Josefa?
- Ela mesmo. Então, foi lá que minha minina encontrou ca barrigudinha, que deu idéia de ir pra casa de Creide nu fim de semana. Eu dexei! Ah, essa coisa de rédea curta é bom, mas não pode ser sempre o tempo todo, senão o cavalo aprende a roer a rédea e vai acabar pastando no vizinho.
- Com certeza. Tu acha que eu dexo Oswaldo bebe toda tarde cos amigo dele?! Nem morta, se quiser vai bebe dia sim dia não, e comigo é assim! Lá em casa so eu qui mando, minina, tá pensando o que!?
- Ah, pois é assim que eu faço tamém. Aí eu dexei ela i, né. Você num sabe! A tal de Creide, minina, eu num conheço ela direito, dexei a garota i porque ela tava bem que precisanu de se diverti ca barrugudinha qui é amiga dela. Elas num foram pru pagodi?!
- Num brinca!?
- Eu fui pa casa di Creide, mar chamei, chamei e chamei, e nada. Daí eu resovi perguntá pra dona da vendinha de esquina, aquela da rua C ca rua D, i ela me fala que ela tinha saído com duas minina pru pagoda do Binhu?!
- Meu Deus do Céu...
- Eu quereno segura minha piriquita in casa e osotru tentando fazê avuá!

Pois é. Levantei e desci em minha estação de destino.

* Tentei ser muito fiel ao que escutei.

7 de abr de 2010

80's never more!

Os anos 80 foram, para muitos historiadores, a década perdida simplesmente. Nada se fez ou se criou de bom durante toda uma década. Economicamente falando, o Brasil descobriu a inflação. O que pela manhã custava x, a noite valia 10 vezes mais e de forma inexplicável.

Musicalmente falando, a década considerada perdida foi paradoxalmente criativa. Foi um tal de surgir banda que só mesmo olhando na internet pra conferir. O grande lance foi atacar pela irreverência. Criticar pouco, lirismo pra que? E se fosse pra dar uma criticada, que fosse com bom humor, carregado na gíria, no palavrão, assim o público compraria fácil sem saber do que de fato se tratava o discurso.

Da década de 80, lembro-me bem dos desenhos. Uma chuva deles. He-man, Caverna do Dragão, Popples, Punk, Muppets (que chegam em versão animada), tantos, que se olharmos a produção de cartoons animados hoje, nos perguntaremos, o que houve?! Bem, hoje a mídia que reina absoluta não é bem a televisão e a garotada curte mesmo uma internet, mas eu diria que algo pior aconteceu. A cultura de massa, que muitos já ouviram falar, que parte da massificação de conteúdo, tornou-se aliada inexorável deste grande filão de mercado. Hoje, o desenho que não repete pelo menos 3 vezes a mesma temporada, não fica na mente das crianças pós-modernas, que, de tão saturadas de informação simplesmente esquecem. As luzes, sons e cores berrantes junto aos enrredos mais fantasiosos, rápidos e violentos também vieram com tudo como tendência e por aí seguirão novos heróis/vilões, ou vilões/heróis, afinal de contas, os desenhos de hoje já não trabalham mais a dicotomia entre bem e mal com no passado.

Mas voltando ao passado... Além da economia perdida, do momento político caótico, dos desenhos animados, da música borbulhantemente pop, a década nos trouxe também muito sucesso no esporte. Nelson Piquet, por exemplo, foi três vezes campeão da Fórmula 1, Ayrton desponta em 88 como ícone vencendo seu primeiro campeonato, Hortência é eleita como rainha do basquete pelos norte-americanos, enfim, muita coisa foi produzida sim, em termos culturais e esportivos para um país tão jovem como o nosso.

No entanto, nem por isso acredito nessa tendência de "viva os anos 80". Eu não aguento ouvir Rosana cantando "Como uma Deusa". E que diabos é o maldito Ursinho Blau-Blau? Sinceramente, há que se separar o joio do trigo, sim! Que a década não pode ser considerada totalmente perdida, eu concordo. A própria tv é o que é hoje, especialmente a Rede Globo, em função da falta do que fazer, da busca pelo entretenimento como válvula de escape de uma realidade cruel e caótica. Porém os anos 80 não merecem voltar, que eles se limitem às poucas manifestações em festas Ploc (ôh, chicletezinho ruim, isto sim era apenas petróleo duro com sabor artificial de qualquer coisa), com figurinos ridículos, porque a calça "centro-peito" foi a coisa mais bizarra de se ver um dia, e que os desenhos, este sim, continuem reprizando porque não farão mal a ninguém, só darão ibope.

Agora, para finalizar, faço aqui a citação de alguém que considero sofrível, lamentável, mas que entrou para nosso panorama político bem no fim da década de 80 via eleições diretas depois do dito término do Regime Militar. "Não nasci com medo de assombração, não tenho medo de cara feia. Isso meu pai já dizia desde quando eu era pequeno, que havia nascido com aquilo roxo." E aí, fechar a década perdida com esse cara já foi o bastante. 80's never more!

Loucademia de Letras de Músicas Brasileiras

Passeava eu pela minha lista de músicas enquanto me decidia sobre o que escrever na ânsia de postar algo imediatamente novo, e me lembrei de algo fatídico, mas que todavia merece ser dito e escrito e até gritado ao G8 se for o caso, não, a ONU precisa saber disso e eu vou falar.

Precisamos abrir a Loucademia de Letras de Músicas Brasileiras. Exatamente. Muitos talentos ao desperdício mental estão a solta e merecem um cárcere. Tá, tudo bem, não prendamos os sujeitos, mas alertemos nossas crianças, elas não podem propagar o que um dia maculou nossas tvs, nossos aparelhos de rádio, nosso mau gosto!

Que a Bahia faz acarajé, por exemplo, todos sabemos. Que tem muito axé e saravá também. A Bahia de todos os santos tem de tudo um cadinho. E muito embora muitos de seus poetas e escritores sejam bons responsáveis pelo sucesso de textos brasileiros no exterior e no território nacional, Bahia também tem muito o que explicar. Mas por que a Bahia? Caros soteropolitanos, perdoem, não é nada pessoal.

Começo agora a abertura oficial da Loucademia de Letras Brasileiras dando a Cadeira número 01 para o poeta em desperdício Beto Jamaica pela responsabilidade sobre a propagação e colaboração nos seguintes textos:

"Fantasiado português entrou
No samba
E a índia pataxó chamou assim:
Tchancurú, tchanxegô, catchanbá,
Tchan popô
Paquetchan, tchanrerê
Tchansambá, tchanmexê
Vou traduzir:
Na cabeça, no joelho, no peitinho
No bumbum, barriguinha, cinturinha
Essa índia ainda mata um"

Trecho extraído de "Tribotchan" - do grupo É o Tchan


"No samba ela me disse que rala
No samba eu já vi ela quebrar
No samba ela gosta do rala, rala
Me trocou pela garrafa
Não agüentou e foi ralar"

Trecho extraído de "Na Boquinha da Garrafa" - do grupo É o Tchan


É isso aí, agora fica por conta dos que virão povoar esta Loucademia de Letras de Músicas Brasileiras, é claro, independentemente da região. Escolhi a Bahia apenas para dar mais destaque, e porque afinal, era justo.

6 de abr de 2010

Nova Atlântida

E agora José?

A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?

Drummond talvez não fizesse idéia do quanto esta poesia seria utilizada, nem com quais finalidades.

Se depois de hoje o Rio de Janeiro continuar lindo aos olhos de qualquer José, realmente não sei. Falta luz, falta água, muito embora a água nos seja abundante já que uma chuva ininterrupta cai sobre a cidade há mais de 12 horas e obrigou a Defesa Civil a declarar estado de alerta absoluto. Nosso prefeito Eduardo Paes pediu aos cidadãos que não saíssem de suas casas.

Estamos sob efeito de sei lá o que. A meteorologia diz que uma frente fria no litoral sudeste associada a áreas de instabilidade arrebatou a cidade favorecendo este tipo de fenômeno de pancadas de chuva intensas e rajadas de vento.

O que não me espanta é o fato de parecer castigo divino. “Tá vendo cambada, olha tudo isso indo pelo ralo! Não seria assim se você, bandido safado, tivesse aplicado o dinheiro público onde deveria. Cadê a porra da estrutura estudada e pensada para o Rio de Janeiro? Olha que a Olimpíada tá vindo aí, hein…” Esta será nossa Nova Atlântida. Que tal vivermos debaixo d’agua? Pensei na Capital, poderia ser no Jardim Botânico. As imediações seriam subreinados, seria perfeito!

Só sei que qualquer que seja o motivo para tanta água e caos urbano, só dá pra pensar no que o homem poderia ter feito para evitar mais de 50 mortes (até agora), 50 Josés, Marias, Cristinas, Augustos deram as suas vidas de alguma forma tentando dizer: está na hora de fazer alguma coisa.

E agora você?

Quem é ele?

Axl Rose não só não morreu como está devolta atacando às pressas de vocalista do Guns ‘n Roses… Um segundo, eu disse às pressas? Bem… Quase uma década depois de seu último show no Brasil em 2001 (Rock in Rio III), a banda Guns n’ Roses retoma seu lugar aos palcos. Formação original? Sim! Completamente original, afinal Axl foi o único que sobrou da primeira formação da banda, brigou com quase todos os antigos integrantes e ainda colocou no lugar deles um bando de músicos desconhecidos, eu chamo isso de ser original. Figurino à la Guns, é claro. Palco impecável, telões, luzes e explosões de fumaça, papel picado, tudo isso para nos provar que nosso polêmico vocalista já não é aquela Coca-Cola toda.

Este “Chinese democracy” estava fadado a dar errado, e olha que São Pedro tentou impedir quando pela primeira vez desmoronou com toda a estrutura do palco naquela chuvinha torrencial que caiu por aqui. O sarcasmo do nome do álbum parece se estender para suas novas músicas como uma grande piada de mau gosto, o que nos faz lembrar de o quanto “November Rain”, “Don’t Cry”, “Sweet Child O’Mine”, entre outras, continuam fantásticas perto do que o novo Guns está produzindo. O fato é que o Brasil parece ser palco ilustre para essas retomadas de carreira de bandas esquartejadas pelo tempo e mau humor de seus integrantes.

Resta dizer que depois de mais de 2 horas de atraso para o início do show, Axl e cia fizeram como puderam. Agradaram a todos com os velhos sucessos da banda, não despertaram tanto interesse com as novas músicas, executaram solos pouco entusiasmados, fizeram o pobre Axl gritar mais do que deveria, enfim… No saldo geral eu daria nota 5,0 entre 0,0 e 10,0, só pra ser político. Ah! Mas teve coisa boa, e ficou para o final quando depois de “Patience”, “Paradise city”, e uma série de efeitos mirabolantes a banda volta ao palco e o guitarrista Ron Bumblefoot executou com maestria o Hino Nacional Brasileiro, mostrando a todos que Axl, assim como sua platéia, é afinal brasileiro e por isso não desiste nunca.

5 minutos

Resolvi que escreveria algo de importante hoje. Parei para pensar em minhas opções, nos últimos acontecimentos, e nada me veio à cabeça. Está tudo tão saturado… Daí, pensei: é, tem o Big Brother Brasil, ontem foi a final e o tal de Marcelo “Dourado” agora está montado na grana. Mas daí, olhei para a minha mesa de trabalho e decidi finalmente! Vou falar sobre o “Durex”.

O adesivo transparente de tamanho padronizado (com um centímetro de largura, aproximadamente) utilizado para colar folhas às outras ou em outros objetos baseados em papel, como o papelão, há muitos anos conquistou o Brasil, tanto que até hoje ao nos referirmos à fita-cola, como é conhecida em Portugual, ou fita-adesiva, chamamos simplesmente Durex. Quem sabe um dia Marcelo Dourado não vira sinônimo de mediocridade?

Lá se vai mais uma farpa

Há alguns anos que a imprensa brasileira caminha um pouco torta junto à população, trocando tabefes com o mundo político nacional e internacional e tudo isso não é para menos. Experimente andar com farpas nos pés. É assim que vejo a imprensa brasileira hoje. Um gigante egoísta cheio de farpas nos pés que quer tudo pra si. Cada coisa que interessa a alguém, este gigante vai lá, anda meio torto e alcança. Como sabe que mais pessoas querem ele copia o que quer que seja com suas múltiplas habilidades e vende. Fácil, não é?

Sonho com o dia em que o interesse do gigante será apenas o de dividir e não vender, propriamente. Sonho com o dia em que perderá as farpas que o fazem caminhar de maneira torta, e acho que pelo menos este sonho poderá se tornar real. Há poucos dias o gigante se livrou de mais uma farpa e esta tinha um nome direto: Armando Nogueira. Calma, vou explicar, resta a você, entender.

Excelente texto esportivo. Comentários sagazes, e o que mais? O que o “grande mestre” do jornalismo, o ícone da imprensa no Brasil produziu de tão bacana além de ter criado o Jornal nacional, ter trasido o telejornalismo para a Rede Globo e sido diretor de jornalismo da emissora durante o Governo Militar, e no período de “abertura política” ter sido um dos responsáveis pela edição do famoso debate entre Collor e Lula, aquele que elegeu Collor como presidente do Brasil? Sinceramente, eu não sei. O que vejo é um homem com senso de liderança ímpar, mente criativa e preparo. Vejo um povo e toda uma classe sem memória, não que um fato apenas defina um homem, longe disso, mas quando foi que ele pagou pelo crime que cometeu? Ter sido aposentado pela Alta Cúpula da emissora me parece no mínimo dúbio, ou ele teve culpa e manchou a imagem da empresa como bode espiatório, ou não teve responsabilidade alguma e realmente se sentiu traído, afastando-se consequentemente da empresa.

Armando Nogueira viveu uma vida escondido atrás de um texto impecável e genial, passando por diversos veículos de forma brilhante, talvez porque em seu interior as coisas não estivessem lá muito bem acabadas, disso, nunca saberemos.

Lá se vai mais uma farpa do gigante. Com Armando Nogueira morre também a edição de Collor versus Lula. Que o Mestre possa partir em paz enquanto que nós, novos jornalistas possamos refletir. Mestre sim, mas de quê? Que nossas perguntas e dúvidas sejam sempre a razão de nossos passos rumo à verdade.

Marx tinha razão P#$%& nenhuma!

Antes que os marxistas e pseudo-marxistas de plantão decidam me queimar em praça pública, tentarei fazer com que em suas cabeças herméticas entrem apenas um pouco de um diferente ponto-de-vista, sem querer com isso criar um monopólio da razão e da virtude a cerca do assunto.

A mim não me conforta achar que Marx tinha razão, apenas. Teve razão ao dizer que as idéias dominantes do mundo decidiriam o futuro da sociedade, que toda essa forma de pensar vigente junto ao poder jamais se modificaria, sim ele teve razão nisto também. No entanto, o legado de Marx nos serviu de que? O que fez um Marxista ao mundo? A grande verdade é que Marx tornou-se igualmente um produto e na crueldade da lógica capitalista passou a ser tal qual as multas administrativas de impacto ambiental que financiam projetos de educação ambiental, ou seja, um grande contra-senso.

Não quero dizer com isso que as idéias contidas em seu discurso sejam ruins, nada disso. O belíssimo palavrório segue incauto contra a corrente e de forma brilhante até hoje. O problema do marxismo é o marxista. No geral é sempre um cara chato que mal compreende o conceito de cultura, e, carregado de preconceitos sai desrespeitando tudo e todos, pudores pra quê? Afinal de contas, deve dar um trabalho viver de forma distinta, ter de se conter ao consumir determinados produtos, ao se vestir, radicalizar uma postura contrária à ordem vigente, tudo isso faz do marxista um estressado em potencial e até que este descubra os sabores da vida a despeito desta cova bem rasa e severina, seguirá barbudo, relaxado e esquisito. É claro que a caricatura serve apenas para ilustrar, mas que fique claro que ela não se fez sozinha.

No final, Marx não deve estar lá muito contente de onde quer que ele esteja. Seus adoradores o lêem, pouco fazem para disseminar o que lêem, e o pouco que lêem e disseminam acaba saindo meio torto, cheios de erros de ortografia em forma de livros com 100 anos de folhas. Uma coisa nisso tudo serve de lição, o capital do que fala Marx, sem dúvida não é o que preenche os bolsos dos “marxistas pós-modernos”. É… “Quanto menos você comer, beber, comprar livros, ir ao teatro, aos bailes ou ao bar e quanto menos você pensar, amar, teorizar, cantar, pintar, praticar a esgrima, etc; mais você poderá economizar e maior será o teu tesouro, que nem cupim, nem a ferrugem poderão estragar: o teu capital.”

Relações Futuras

Pós-modernidade. Para uns, a Era das Maravilhas, para outros, a realização do inferno na Terra. Um período histórico, uma face do desenvolvimento social que nos permite praticamente tudo. Talvez a permissividade seja a marca mais poderosa do pensamento pós-moderno. São conclusões, intertextualidades. A realidade nunca se apresentou tanto como um mosaico, um hipertexto a ser conectado a partir das múltiplas experiências vividas, da pluralidade das relações e das reconfigurações dos espaços sociais, bem como a função a ser exercida por cada indivíduo neste espaço.

Esse avanço nos remete às ciências e tecnologias. Ainda partilhamos um paradigma tecnocrático, no qual a nossa sociedade se reafirma legítima quando as descobertas científicas e os avanços tecnológicos acompanham ou surpreendem a lógica do pensamento mediano. Dessa maneira, podemos considerar que o conceito inevitável conhecido como Globalização, o avanço absoluto e irrefreável das novas tecnologias, aliados às conexões e relações sociais, hoje, simplificam o entendimento da coexistência das múltiplas identidades em cada um de nós, com bem explica Stuart Hall em sua obra, “A identidade cultural na pós-modernidade”. Além disso, nos concede a possibilidade de projetar novas concepções de relacionamentos que serão estabelecidos em função dessas marcas atuais.

Está claro que a cada dia que se passa, em razão das diversas características que o sistema econômico, o político e o conceito de liberdade nos proporcionam, as relações estão cada vez mais assépticas. Este pensamento está longe de ser uma concepção do pensamento recente. Esta realidade já foi projetada muito antes do que se imagina. O cinema tem sido um grande colaborador. Se observarmos com calma, é através dele que os visionários da nossa sociedade conectam o pensamento que vem sendo produzido na “academia” ao imaginário humano. Resultado: “Apaixonado Thomas”, “Declínio do Império Americano” e “Invasões Bárbaras” são apenas três exemplos que reafirmam tudo o que estamos considerando a partir do pensamento pós-moderno e as relações que nele se estabelecem.

O que mais preocupa no futuro são as diferenças que são acentuadas pelo capitalismo e pela democracia. Diferenças que provocam o afastamento social. É o olhar do turista de safári ao vizinho com um menor poder de aquisição de bens de consumo. É a cidadania que se caracteriza pelo poder de compra. É a liberdade que se estabelece pelo acesso à tecnologia. É a nação que ocupa espaço privilegiado no panorama internacional. Todos fatores pretensiosos, mas de muito peso no que se diz respeito à assepsia das relações. É justamente neste aspecto que a cultura se faz mecanismo contundente no combate a este modelo. Somente com o pleno conhecimento sobre si mesma, que uma sociedade minoritária, dentro dos padrões globais, sobreviverá ao sistema avassalador que abate o mais fraco em seu processo natural. Assimilará o que interessa de culturas exteriores e através dessa “antropofagia” adaptar-se-á ao atual. Os pessimistas irão considerar o desaparecimento de uma cultura quando duas se encontram. Dirão que a mais forte destruirá a primeira. Se assim fosse, no Brasil, como em outros países colonizados por colônias de exploração - que só faziam depredar e destruir - não existiriam mais índios. Muito embora a tolerância para com o diferente seja insuficiente, Dominique Wolton comenta brilhantemente o conceito de multiculturalismo, no qual, culturas diferentes conseguem coexistir no mesmo espaço.

Talvez o caminho ideal seja justamente o de pensar sobre o futuro considerando o que fazemos da nossa cultura no presente. Reforçando as lutas sociais que reivindicam os direitos da maioria e aceitando os processos que nos abatem naturalmente. É desnecessário estudar os conceitos de globalização, regionalismos, quando assuntos como analfabetismo e fome são ainda mais urgentes. Depois de as reformas de base terem sido realizadas verdadeiramente, é que poderemos comemorar um patamar mais consciente frente às questões que se nos apresentam na sociedade em que estamos inseridos.

Faça-se a luz, por favor.

São elas. Não existe outra explicação. Há muito tempo que não se ouvia falar daquelas que forçaram o grande estadista brasileiro Getúlio Vargas a cometer suicídio, as forças ocultas.

“Mais do que nunca” as forças ocultas estão na moda. Quer seja uma árvore caindo, quer seja uma tempestade que nunca aconteceu, a rede elétrica mais eficiente e segura do mundo - sim, porque de acordo com o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, o Brasil possui um dos sistemas mais seguros do mundo quando se fala em energia - está cedendo às forças ocultas. Elas começaram sorrateiras. Atacaram de uma vez só a usina de Itaipú e provocaram uma reação em cadeia jamais antes vista. Nada de falhas humanas, nada de responsáveis. Lula bem que arriscou um palpite dizendo que somente Deus poderia saber quando o fato se repetiria. Se tivesse feito um bolão, teria ficado rico. Pois muito antes do esperado, vossa santidade, O todo Poderoso descarregou sua ira pela falta de assinaturas ao tratado de Kyoto e castigou o Brasil, e olha que nós assinamos. Mas a providência divina sabe o que faz e de maneira certa, por linhas ainda tortas enviou raios e mais raios. Obviamente as forças ocultas foram mais uma vez as responsáveis pelo sistema de energia mais seguro do mundo ter ido a nocaute. Só que uma pergunta não pode calar. “Quem quer dinheiro?” Isso mesmo, quem quer? Eu ainda não sei bem quem, mas meu pessimismo verborrágico não pode deixar de imaginar que alguém vai levar muito nessa jogada, e temo que seja mais uma vez a Light e demais companhias fornecedoras de energia, como se já não bastasse a ninharia que custa ao povo a conta de luz, tão logo deve-se criar uma taxa sobre o apagão. Onde estão os investimentos?! Onde está o preçinho camarada? Nenhum desconto? É, acho que não.

Pelo jeito prosseguirão os ataques, as forças mais misteriosas do Brasil continuarão com sua trajetória simples que só caracteriza uma coisa, sabotagem. Se a opção era alugar ou vender o Brasil, agora descobriram que dá pra fazer muito dinheiro com a reforma. É a síndrome do carro velho. Maqueia-se o bicho, trocam-se algumas peças e ele funciona. Um tempo depois a maquiagem derrete, a peça solta e não adianta mais ir atrás do antigo dono, ele estará no interior de sabe-se lá onde. Só sei que enquanto tiver praia e água de coco, enquanto o prefeito do Rio não os tirar da praia porque é mais fácil acabar com o coco e o lixo em que ele se transforma que investir na maneira correta de dar fim aos detritos, o carioca, pelo menos, continuará feliz e contente. O domingo continuará sendo legal, da gente, a praça ainda será nossa e quem sabe se aprendendo a viver a vida, esse problema não se torna o menor daqueles que temos. Bem, o problema mesmo é que a partir de agora se cada mergulho vai ser um flash ou não, já não sabemos.

Perdendo Tempo

Por diversas vezes me pego a observar a reação dos brasileiros quando o assunto é corrupção. De forma bastante interessante, o papo descamba para a derrocada do país, como se nada mais pudesse nos tirar da lama em que nos encontramos hoje graças aos “mensalões”, escândalos com cartões corporativos e demais peripécias daqueles que dizem representar os interesses populares no governo. Ora, que o Brasil ainda teima em caminhar na contra-mão da responsabilidade política, todo mundo sabe, ou melhor, sabe a quem interessa saber porque está nas páginas dos jornais, passando pelos transmissores digitais, e há quem diga que em tempo real pela internet. Num país de proporções continentais, discutir se os estados não-produtores envolvidos com a questão do Pré-sal merecem ou não levar “x” ou “y” com os royalties parece tão pequeno quando nos damos conta de que ainda hoje brasileiros e brasileiras morrem de inanição e fome, sem documentos nem lenços, sem conhecer o que é ser cidadão, sem energia elétrica. Me pergunto se não seria prudente discutir que parte desse dinheiro seria realmente revertida em benefício desta população necessitada, sim porque, se o Pré-sal veio como um benefício extraordinário não faria a menor diferença para os cofres públicos já que nunca contamos com esses recursos.

É, mas, como para tudo dá-se um “jeitinho” até na hora de dar nome aos bois, admitir a culpa mesmo, chamar pra si a responsabilidade, o brasileiro é safo. Justificam-se as bolas-fora por culpa de uma tal Portugal que nos colonizou ao avesso, isso quando a culpa não é dos Estados Unidos com seu império do consumo irrefreável, como se eles fossem os responsáveis pelo mau-caratismo que nos contamina, como se eles fossem os vilões que entram pela nossa porta arrancando-nos a ética e a moral, que ao pé da letra, tornou-se estranha e de tão estranha fez uma Universidade que não andava bem das pernas expulsar uma aluna pelo mesmo motivo, pernas.

Neste contraste tipicamente brasileiro, o patrimonialismo, substância facilmente encontrada em nosso sangue, perdura faceiro, sorridente e com gostinho de “eu não fiz nada de errado”. Seguem-se os velhos vícios, os antigos culpados, nos visitam novos presidentes de velhos hábitos com a desculpa de reinventar a roda, para nos manter ocupados o suficiente e não nos darmos conta de que o tempo… Este simplesmente se perde quando não produzimos nada.