30 de ago de 2010

Eternamente Toquinho

Nosso mestre Toquinho, finalmente teve um programa sobre sua música em mais uma edição da série Global "Som Brasil".

Quem de nós, da minha geração, que não conhece "Caderno", ou "Aquarela"? E que mais tarde veio a conhecer "Tarde em Itapoã" nos karaokês malditos da vida, ou "Samba de Orly" com sua poesia popular e malandra? É. Toquinho se consagrou com a parceria que fez com Vinícius, o poetinha, e nunca mais saiu de seu pedestal, muito embora ainda não receba todo o louro e toda a glória que muitos dos tidos figurões da nossa Mpb receberam ao longo dos anos.

Abrilhantaram a noite de Toquinho, Ana Costa, Maria Creuza, Leo Gandelman, Glauco Lourenço, e pasmem, Mallu Magalhães. Ah é, (putz) Paulo Ricardo também.

Há que diga que nossa música hoje sofre fortemente com a falta de talento, com a especulação mercadológica, com as bandas malucas de teens que surgem a cada esquina, e que fazem sucesso, e tudo mais. Bem, pode ser um pouco disso sim, mas Paulo Ricardo, Deus do céu. Ele não canta há tempos, "Tarde em Itapoã" então, sem chances. Foi o que deu uma estragadinha no show. Até a mortinha da Mallu, que faz um estilo "Oasis" na pose de "eu sou foda", e que depois manda um sorriso juvenil de "Maysa versão 2000", mandou bem. Descobri que ela é boa quando muito bem preparada com retorno e etc, e que o problema mesmo é o que ela canta.

Tirando todo o sarcasmo, deu pra gostar do que foi apresentado. Senti falta de Badi Assad com Toquinho em "Sinal Fechado", mas a vida é assim, nem sempre temos o que queremos ter. (Isso pareceu letra de música dos anos 80.) Mas sabe, tudo isso, até mesmo o que eu escrevo... um dia... Descoloriráaaaa...


Fiquem agora com o link para o clip animado de Aquarela:
http://www.youtube.com/watch?v=kdb20favid0&feature=related

11 de ago de 2010

Presidenciáveis na Band

Fiquei devendo um breve parecer sobre o debate dos presidenciáveis na Band e temo dizer que a pessoa que salvou o debate, fazendo dele um instrumento de cobrança e contra-argumentação, foi o canditato do PSOL, que feliz ou infelizmente não possui tanta expressão política.

Indo ao que interessa, participaram do debate, Dilma Rousseff do PT, Marina Silva do PV, Plínio de Arruda Sampaio do PSOL e José Serra do PSDB. Nossos presidenciáveis foram coordenados por Ricardo Boechat e notadamente, todos estavam bastante tensos.

A grande expectativa era de que Dilma se sairia muito mal, o que não aconteceu. Que Serra fosse se sair muito melhor do que de fato foi e que Marina seria a oposição, o que também não aconteceu. Espere um segundo, esqueci de alguém? Claro! Plínio, o Mister Burns brasileiro. O candidato do PSOL fez o confronto de ideias que todos estávamos esperando partir de Marina. O camarada falou com o telespectador, interpretou as repostas de seus adversários e mudou todo o esquema.

Plínio ligou a imagem de Marina a Lula a todo momento, logo, Marina não obteve o resultado que esperávamos já que posou de "situação" com sua postura ética sobre o que é melhor para o Brasil, que oposição não lhe interessa mais e que o importante é a sucessão. Mister Burns também sacaneou Serra ao interpretar suas respostas mostrando que o tucano é o mesmo de sempre, embora agora ostente um sorriso mais branco no rosto. Dilma, surpreendentemente mais bem preparada que o esperado, e absolutamente a mais nervosa, foi a grande beneficiada com este debate. A pergunta que fica é: teria o PSOL colaborado para esta situação? No caso de sim, com que interesse? Seria o início de uma aliança? Ficou claro que o candidato do partido atacou mais vorazmente a Serra e Marina e esta postura favoreceu Dilma.
Pelo jeito, este debate nos deu apenas o que podem ser as cenas para os próximos capítulos.

4 de ago de 2010

Quem nunca pecou...

Muito está se falando sobre o caso diplomático da mulher iraniana que foi condenada à morte sob a acusação de adultério. O caso está ganhando proporções nunca antes vistas, mobilizando o mundo inteiro para uma questão chamada Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Talvez os olhos do mundo estejam sobre o Irã hoje por culpa do relacionamento polêmico que o Brasil teve há pouco com o país. O que quero dizer é que é muito simples pegar uma declaração infeliz de nosso presidente e transformar tudo isso num grande palco para os loucos da mídia dançarem felizes, mas mulheres como esta morrem aos montes, apedrejadas, enforcadas, e de outras formas bárbaras porque é assim que países com leis desumanas e arbitrárias funcionam. Até hoje na África mulheres são mutiladas quando atingem o auge da fertilidade. "Ora, para que se importar com a África? Deixe que eles se matem para que depois, os grandes exploradores do mundo possam dividir os diamantes e demais riquezas de um dos maiores paradoxos da Terra."

O que esperar de tudo isso? Que o mundo enxergue neste caso uma oportunidade de ponderar sobre os Direitos Humanos e intervir sim, Senhor Presidente, na lei e na forma com que países arcaicos lidam com a lei, para que a vida seja respeitada. Isto é viver em sociedade.

Atire a primeira pedra você, então.