11 de mai de 2012

Pés no chão

Costumava pensar
que os textos se formavam sozinhos.
Atiravam-se no imenso e branco vazio da folha
sem medo de ferir, após qualquer vírgula.

E seu exército marchava feroz e audaz,
sem juras de amor,
sem remorso.
Mas finda a folha, tudo se esvaia em silêncio.

Então o texto passou a voar.
Compondo cenários imaginários ao longo da via,
plantando sementes, ordenhando um novo espaço
alimentando o ser.

Cada segundo uma sonora exclamação.
A cada sonho, uma realidade dura,
para cada mão, um trabalho moldado.
Para cada vida, uma outra sua.

Mas se hoje,
nas teclas deste constructo humano eu vejo o texto
Mais tarde, uma máquina há de se provar palavra
e eu... que nunca soube coisa alguma, continuarei sem saber absolutamente nada.

Anônimo

Quando as palavras faltam, existe a música.
Quando a música não basta, a vida nos cria um novo mistério. Ao homem, basta dar-lhe um nome...