7 de set de 2012

Capitulo 03 - Pensar é uma dádiva



Aqui estou eu novamente, porém emocionado por uma cena de um seriado que eu curto muito, mas é meio galhofa. A coisa foi a seguinte: uma conversa entre dois agentes secretos que já trabalham há 6 anos juntos e confiam muito um no outro. O cara diz à mulher que ele tem um contato para ajudar a resolver uma questão pessoal dela. Isso foi completamente fora do protocolo e ela, aliviada ao saber que vai resolver a questão demonstra por ele, em palavras, todo o carinho que ela sente especialmente ao saber que ele está se arriscando para ajudá-la. Ele apenas observa que o contato não é confiável. Que louco!

Então, hoje quero falar sobre o que eu penso de pessoas e contatos. Pessoas, são aqueles seres que vemos por aí passeando das mais diversas maneiras. Com fones de ouvido, sem fones de ouvido e sem bom senso, com calça skiny, camisas de gola "v" e hawaianas, ou seja, sem bom senso de novo, ou cordões pesados de prata ou níquel com tattoos enormes em seus braços grandes que costumam compensar a falta de atividade cerebral e demonstrar os altos níveis de testosterona, ok, sem bom senso. Já repararou quantas pessoas passam por aí sem bom senso? Acho que já, não seja hipócrita. Bem, os contatos são aquelas coisas que você busca guardar. Telefone, e-mail e perfis em redes sociais. Com a maior parte das pessoas você não deseja contato, pela falta de bom senso de algumas. Já os seus contatos te fazem perder um bom tempo na hora de uma possível indicação de trabalho, e então, você reza para que sejam pessoas!

Pessoas e contatos nos rodeiam, esta é a verdade. Não conseguimos evitar. No cinema, na rua, em shows, restaurantes. Mas o que importa mesmo é saber quando um deixa de ser o outro e quando o outro deixa de ser o um. Tipo, se um contato marca com você um café, ele já é pessoa. Se uma pessoa não marca nada com você, mas te manda um oi por "inbox", passou a ser contato. A teoria é comprovada cientificamente pelo Irish Institute of ME, que significa Muito Esperto. Agora, por que falar sobre contato e pessoas? Respondo: porque num dado momento da vida passaremos a fazer esta distinção ridícula. Porque estamos afundando num modelo de day by day tão estúpido que o atual e o real, que não são a mesma coisa, farão a diferença cabal entre tomar um café ou analisar uma proposta de emprego sob a exposição à cafeína.

Não faço distinção entre contatos e pessoas. Tenho todos como contatos e pessoas, assustadoramente ao mesmo tempo. Isso me poupa o trabalho de compartimentar a cabeça. Eu sou um cara que trabalha, que estuda, que lê, que toma café puro e que apesar de fazer tudo isso continua sendo pessoa, além de contato. Estamos todos fadados ao fazer contato com pessoas, mesmo que às vezes estas não tenham bom senso ou bom gosto.

Esses dias mesmo fiz contato com uma pessoa e ela então passou a ser meu contato. Ao virar meu contato, ela me mandou um "inbox" e mediante informações marcamos um café. No café, analisei sua proposta de trabalho e tão logo me identifiquei com ela o contato passou a ser pessoa novamente. Ela usava um telefone, com fones de ouvido. Vestia calça jeans, uma camisa com um belo decote e um par de tenis. O cabelo estava preso e ela parecia ter bom senso. Ela me passou outros contatos que podem não vir a ser pessoas, mas eu garanto que se não tiverem bom senso, I quit!