25 de dez de 2014

Na gaveta

Poderia gastar algumas horas para falar do atual estado de coisas. Poderia citar Marshall Mcluhan e/ou qualquer outro teórico em que coubesse minha retórica neste instante. Argumentação bem construída inspira respeito e verdade. Em que verdade estamos mergulhados agora? Escrevo pelo sonhar. A realidade pouco importa. Ela costuma ser fria, dura e seca. Os sonhos não. Ao contrário. São eles, os sonhos, que salpicam nossas verdades, o nosso real, nossas estátuas resolutas com sabores não imaginados anteriormente. Nos fortalecem por resiliência e nos amenizam o pesar pela dor do crescimento, moral, físico... sei lá. Onde está o sonho quando a verdade escorre pela sarjeta? Onde está?

11 de set de 2014

Invisível

A dor da perda inexistente
é a lamúria pessoal e latente
que deságua de dentro de mim.

É Castigar o amargo do peito,
um ouvir, meio sem jeito,
esteja eu longe e bem perto do fim.

É que de dentro do mundo imperfeito
sorrir já não tem mais efeito,
ecoo em vão ao mundo que sim.

Sofro como sofrem os homens,
da garganta as palavras somem,
não há remédio por se viver assim.

4 de set de 2014

Bebí lo

Então fez do amor um regalo,
Que de singelo, sangrou avidamente
Pois que, vivido, não poderia sequer compará-lo
Cabendo a si mesmo singrar os meandros da mente,
Ao dever à dúvida uma migalha
Mendicando o massacre em uma taça qualquer,
O tinto, seco e suave da lágrima
A escorrer da memória à face de uma mulher,
Que se quer viril e persuadida,
Tal como homem navegando seios aos olhares,
Estando morta, em delicada pós-vida
Rejeitando destinos, os copos milhares,
Em se incumbir de razão, poder e malícia,
Guardando riquezas a ouro, pesos e lares
Há de dormir profunda menti-rosa delícia,
Por monastérios do coração, o corpo dos bares.

Bebí lo.

18 de ago de 2014

Viveiro

Se assim fosse
A terra uma constante
Girando ao fim não tão distante
Seria ele verdade pra mim.
Porque o que o vento me trouxe
Não passou nem por perto
Dum trilhar incerto
Das notas desse violão,
Que violará as provas
Das trovas os versos
Em múltiplos universos
De uma só canção,
E, ão de cruzar espaços
Espaçar os laços
Na vida pura e distinta, 
Sei que irão.
Dizem as tintas, 
Por páginas negritas
Em palavras aflitas 
Que não,
Mas se pudesse 
Da aranha que tece
Do tordo que sonha
A teia das penas que avoam
Em meu coração
Matar o que há bem no peito
Dar cabo do crime em juízo perfeito
Ouso a dizer em direito
Que pra esse amor não há perdão
Tomou meu ser sozinho
Fez pra si um cantinho
Escorraçando a solidão,
Encantando os canos
Becos escuros, redutos
Cantando o amor em meus dutos
Fazendo-se platéia de mim
E de resto
Em tudo a que me presto
Só há uma coisa o que fazer
Voar, subir após os tetos
Destes céus encobertos
E viver o pra sempre sem perceber.
Que o meu pra sempre é honesto
Feliz, iluminado e modesto
Se for pra sempre com você.

1 de ago de 2014

Groot?!

A Marvel está de parabéns no quesito "take my money at the cinema".

Me parece que a fornalha nos estúdios do Sr. Lee não se apaga, e é verdade que tem muito mais ainda por vir.

Comentada como a nova equipe propaganda da Marvel nas telinhas, os Guardiões da Galáxia fizeram seu papel. No mínimo um dos filmes de ação mais divertidos do ano, aos olhos dos mais rabujentos, porque particularmente eu gostei bastante. Equilibrado, o filme é autoexplicativo. A equipe se justifica de forma fácil, seus objetivos são toleráveis, e talvez a única ponta solta seja Gamora, que merecia uma abordagem maior já que tem uma história complexa nas mãos de Thanos de Titan.

Com altas dozes de humor, o filme tem como destaque a curiosa dublagem de Vin Diesel para o personagem Groot, em todos os idiomas possíveis para qual o filme fora dublado! Isso mesmo. Como Groot só fala "Eu sou Groot" Diesel dublou a frase em diversos idiomas, ou seja, não importa a cópia, a voz será dele. Porém, rouba a cena o texugo espacial/mutante/ciberneticamente modificado, Rocket Racoon. Sem dúvida nenhuma sua personalidade afiada dá o tom de todas as cenas em que ele participa.

Depois de Vingadores, Guardiões da Galáxia ainda não conseguiu superar as cenas de batalha em conjunto, mas nos deu cenas de batalha com naves espaciais dignas de Star Wars.

Por último e não menos importante, Thanos! Ele mesmo. O Ethernal, embora tenha aparecido praticamente uma vez "ao vivo e a cores" mostrou ser muito mais carismático que o vilão do filme, o Terrível kree, Ronan, mais uma prova do que o que está por vir, será ainda melhor!

Vamos aguardar pelo segundo?



FICHA TÉCNICA
(Guardians of the Galaxy, 2014)

Gênero: Ação
Direção: James Gunn
Roteiro: Chris McCoy, Nicole Perlman
Elenco: Benicio Del Toro, Bradley Cooper, Chris Pratt, Dave Bautista, Djimon Hounsou, Emmett Scanlan, Glenn Close, John C. Reilly, Karen Gillan, Laura Haddock, Lee Pace, Melia Kreiling, Michael Rooker, Ophelia Lovibond, Peter Serafinowicz, Vin Diesel, Zoe Saldana
Produção: Kevin Feige
Fotografia: Ben Davis
Montador: Fred Raskin
Trilha Sonora: Tyler Bates
Duração: 121 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 31/07/2014 (Brasil)
Distribuidora: Hughes Winborne / Walt Disney Pictures
Estúdio: Craig Wood / Marvel Enterprises / Marvel Studios
Classificação: 12 anos

Sinopse
Peter Quill (Chris Pratt) rouba uma esfera desejada pelo vilão Ronan. Devido ao furto, passa a ser procurado por vários caçadores de recompensas. Na tentativa de escapar, une-se a quatro personagens: Groot, uma árvore humanóide (dublada por Vin Diesel), Gamora (Zoe Saldana), o texugo Rocket Racoon (com voz de Bradley Cooper) e Drax, o Destruidor (Dave Bautista). O personagem principal descobre que a esfera roubada possui um poder capaz de transformar o universo e passa a proteger o objeto para salvar o futuro. O longa é baseado nas HQs da Marvel.

Autobots: Transformar... De novo.

Pra quem foi cria da década de 80, a franquia Transformers tem deixado muito a desejar.

Falei aqui na época do Transformer 2 ainda. Dizia eu estar ansioso pelo 3. Não sei se fui eu ou o 3 não foi lá essas coisas, e digo, o 4 também não atingiu o resultado que eu esperava.

Até o momento, os filmes, se comparados com as séries televisivas como "Beast Wars", em que Decepticons, Autobots e Predacons viviam sua luta pela sobrevivência em um ambiente alienígena e tudo mais, vamos constatar que Transformers é apenas um filme de robôs gigantes recheado de efeitos especiais maneiros, explosões - como Michael Bay gosta -, porém com roteiro fraco.


Por incrível que pareça, a "volta" de Optimus Prime pareceu um pouco forçada, desesperada para o líder Autobot, e a interação com a raça humana ainda mais esquisita, sem contar que os humanos do filme são robôs também né, afinal, ninguém se machuca.

Por fim, fecho dizendo que estou ansioso pelo 5. Gostaria de ver na verdade, um roteiro maduro para os camaradas de Cybertron. Vai que talvez, e só talvez, eles melhoram um pouco a coisa?


FICHA TÉCNICA
(Transformers 4: The Age of Extinction, 2014)

Gênero: Ação
Direção: Michael Bay
Roteiro: Ehren Kruger
Elenco: Abigail Klein, Bingbing Li, Chanel Celaya, Cleo King, Geng Han, Jack Reynor, Kelsey Grammer, King, Mark Wahlberg, Melanie Specht, Michael Wong, Nicola Peltz, Peter Cullen, Sophia Myles, Stanley Tucci, T.J. Miller, Titus Welliver, Victoria Summer
Produção: Don Murphy, Ian Bryce, Lorenzo di Bonaventura, Tom DeSanto
Fotografia: Amir Mokri
Montador: Roger Barton, William Goldenberg
Trilha Sonora: Steve Jablonsky
Duração: 165 min.
Ano: 2014
País: Estados Unidos
Cor: Colorido
Estreia: 17/07/2014 (Brasil)
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Paramount Pictures
Classificação: 12 anos

Sinopse
Alguns anos após o grande confronto entre Autobots e Decepticons em Chicago, os gigantescos robôs alienígenas desapareceram. Eles são atualmente caçados pelos humanos, que não desejam passar por apuros novamente. Quando Cade (Mark Wahlberg) encontra um caminhão abandonado, ele jamais poderia imaginar que o veículo é na verdade Optimus Prime, o líder dos Autobots. Muito menos que, ao ajudar a trazê-lo de volta à vida, Cade e sua filha Tessa (Nicola Peltz) entrariam na mira das autoridades americanas.

15 de mai de 2014

É preciso ter fome?

"Agora que vagabundo vai mais é fazer filho! Trabalho que é bom? Duvido! O 'Bolsa Esmola' sustenta o vagabundo enquanto eu, trabalhador, perco dinheiro. O Governo só sabe tirar o meu dinheiro pra sustentar vagabundo, isso sim!"
Quando ouço frases desta natureza, em diálogos para os quais não fui convidado, digo diversas coisas para mim mesmo. Coisas nem tão ofensivas, coisas do tipo... Do tipo perguntas. Perguntas nada capciosas. Perguntas do tipo... Do tipo ingênuas. Exemplifico: será que este sujeito sabe do que está falando? Olha que esta é apenas a primeira delas. A primeira pergunta sim, que fica martelando na cabeça mesmo que eu comece a dizer pra mim mesmo as inúmeras outras que eu falaria para ele, tal qual uma beata em ladainha.
Em termos emocionais, eu me envergonho. E não é exatamente pelo sujeito desconhecer o que significa a Bolsa em si, mas por eu não poder fazer tanto quanto gostaria para que tal absurdo não fosse reproduzido, para que o sujeito, este que falou a abobrinha, compreenda finalmente do que se trata a política.
Como se houvesse alguma esperança, continuo perguntando. Pergunto: se uma família que ganhe menos de 70 reais por pessoa e que tenha dois filhos, e logo, receberia apenas 134 reais por mês, gostaria de estar nesta condição? Será que ele sabe do que está falando? Essa família gostaria de não trabalhar? Deseja profundamente manter sua dieta equilibrada com 134 reais formidavelmente poderosos todo mês? Será que ele sabe do que está falando, repito a mim mesmo incansavelmente. Me pergunto: com quantos poderosos reais aquele sujeito, o da abobrinha, que não deve saber do que está falando, faz compras todo mês? Claro, se ele tiver dois filhos para que a comparação fique razoável, melhor. Não vale ser apenas um casal e dois cães, por exemplo, hein. Nem vale ter uma renda média de... Pelo menos um salário mínimo, porque a graça da piada é que cada membro produtivo da casa ganhe a montoeira de 70 reais. Será que ele sabe que a Bolsa tem um limite pra tanta dinheirama? Tipo... 306 reais? Os quais servirão para alimentar pelo menos cinco filhos, fora algumas outras questões que devem ser atendidas para que o benefício chegue às cifras milionárias que cito. Não. Este sujeito não sabe.
Ele não sabe que esta política custa apenas, eu disse apenas 1% - em valores aproximados - do orçamento da União. O que este sujeito não sabe, é que o programa que ele tanto critica é absolutamente emergencial e tem como prerrogativa garantir renda familiar mínima para que pessoas muito pobres possam comer, e que se assemelha também, ao pacto de bem estar social que muitos países europeus adotam, só que em menor escala, sem qualidade ou glamour, claro. Não sabe também que para receber o benefício as crianças precisam estar matriculadas em escolas, com presença adequada, e, vacinadas. Infelizmente, vacinadas não sobre a sociedade mesquinha que as quer ver morrer de fome, é contra outras doenças que matam tanto quanto, mas doenças mais generosas porque verdadeiras, não escondem suas reais intenções. Além disso, o que este sujeito não sabe, é que milhares de pessoas deixaram de receber o benefício voluntariamente, porque conseguiram, de alguma sorte, receber algum dinheiro que fosse para substituir a fortuna que recebiam antes.
Este programa poderia ter sido idealizado por qualquer partido político, já que nenhum deles te representa. Aliás, você sabe mesmo do que está falando? E tipo, por que nunca foi pensando antes? Hoje, nenhum partido... Nenhum! Daqueles, aqueles mesmos que não te representam, cogita exterminar com o programa enquanto houver pobreza crônica e uma razoável má distribuição de renda no Brasil. Pergunto: você sabe do que estou falando?
Depois de tanto conversar sozinho e ver o outro sujeito assentindo com a cabeça como quem acha que esclarecer é ofender ou discutir miseravelmente, ou ainda, que o senhor das abobrinhas está com a razão eu me pergunto, além das milhares de coisas habituais, uma última pergunta: para entender tudo isso falta informação, inteligência ou caráter?

8 de abr de 2014

Entitular

Precisamos de heróis
para combater nossa própria escuridão.
Precisamos de uniformes
para não evidenciarmos os diferentes.
Precisamos de armas,
para lutar nossas guerras sem precedentes.
Precisamos da tv,
para moldar a voz da multidão.

E quando faltar multidão
sejamos um grupo, um só lamento.
E quando faltar precedente
sejamos a razão, o motivo.
E quando faltar o diferente
que seja igual, mas só por um momento.
Porque quando faltar a escuridão
o herói virá com um único castigo.

E ele não trará nada no braço,
pois foi há muito esquecido...
Novos trajes pra guerra nos pintam
porque somos todos iguais no singular
Pensando no plural do combate,
no dia a dia do justo e que um acate
as ordens do sensato em todo e qualquer lugar.

Precisamos de heróis falidos
para compreender o que não se entende.
Precisamos de uniformes caros
pra marcha latente engrossar,
e, se precisarmos de armas
é pra combater o Eu, o íntimo, o inerente
porque se buscarmos na tv,
qualquer coisa de útil, podemos não encontrar.

4 de abr de 2014

Do fim ao começo

A luz roubada
A chama acesa
O nó que havia
a garganta ingrata
não abranda nada
Nem se sobre a mesa
É da voz a via
nova vida desata

O silêncio, a palavra
um gesto um sabor
É toda alegria
É fim de toada
violência se guarda
No peito essa dor
É som no meu dia
À noite é amarga

Quem dera fosse um roer, um sorrir, um segundo,
A iluminar o azul que me faz devorar
O tempo em que sonhava um amor maior que tudo
E a certeza que tenho todos os dias ao acordar.
Quer a tristeza ser neve, fria... E passageira
Quer às vezes me ter, noutras abandonar.
Quer o amor ser onda que me carrega, ligeira
Mas que no meu eu de areia
Há de bater, há de sempre voltar.

19 de mar de 2014

Arrepio

Se corrói quando engulo
Se arde em sal em meio à escuridão
Se faz morder ao esquentar o corpo
Se apertar ao soluçar então
Se o que vem depois é um calafrio
sem qualquer suor, soslaio - nem um pio
É o que transborda mesmo estando vazio
É o que afaga, que ensina quem ama
Golpe insensato da dor pela imaginação.