3 de jul de 2017

Téspias

O semáforo. Um risco.
Na pulsante trajetória
O aço. O poste, um bicho.
Enluarada a chama
A noite molha a grama, o traço
Um rio me faço, sou eu!
Diante do sim.
Nas águas, a um passo
Sem roupas faz frio aqui.
Não te vejo, não há ninguém.
Sou flora. Sou fauna, amor.
Sou pronome, sou quem
E nada há além de mim.
Mergulho. À sorte, entregue,
Malte e embriaguez.
Sem sorriso branco,
Sem pés, tu que és nudez
Cala minha sina. Não negue
meu fôlego assim.
O sangue na estrada
enfeita o tu, que sou eu
Que abranda. Que seca.
Que é nada. E no pesadelo
da vida, mais tira que afaga
Corta o juízo, me encerra.
Afoga. Regenera. Me encanta.
Ouço sirenes... sereias.
Este é meu rosto. Meu universo
Eu texto, testo. Mais um verso.
Estilhaço e fim.