25 de mai de 2011

Não é feitiçaria, é cinema mesmo

Este é mais um daqueles momentos em que me sinto sinceramente constrangido ao ter de falar mal de Nicholas Cage. O cara fez Cidade dos Anjos, O Senhor das Armas, eu sei, ele tem a mesma cara em praticamente todos, mas foram filmes bons. Já esse aprendiz de feiticeiro aí...

Vamos lá. Não é que seja um filme ruim, mas sabe quando você tem a sensação de ter visto milhares de filmes no mesmo estilo? A historinha é meio batida, os efeitos especiais das magias, pelo amor de São Francisco Califórnia, o que é essa onda de feiticeiro lançar hadou-ken?! Eu realmente não entendo como um filme, que apesar do roteiro, tinha tudo pra ser um excelente filme de ação/ficção... Ok, não tinha não, esquece o que eu disse. Mas pelo menos você ainda vai poder vê-lo na sessão da tarde e se perguntar onde foi parar o filme do Harry Potter (Harry Potter and the Sorcerer's Stone, 2001) ou Abracadabra (Hocus Pocus, 1993) com as maravilhosas Sarah Jessica Parker, Kathy Najimy e Bette Midler. Tá vendo, era pra falar do Aprendiz de Feiticeiro e cá estou eu...

Bem, aproveitando o embalo das atuações. Onde eles encontraram Jay Baruchel? O cara deveria ganhar o maior prêmio voz chata do ano (vou até ver alguma outra coisa dele pra não ficar com essa má impressão)! Mas tudo bem, ele tem vocação pra nerd, e é inegável que a personagem "Dave" caiu como uma luva, mas acho que Jake Cherry deu uma banho nele fazendo sua versão infantil.

Acho que era isso. O que salva é Monica Bellucci com sua beleza feérica, lábios provocantes, idade bem-admitida e seios fartos. Fazem a porcaria do filme e não colocam a mulher na maior parte das cenas pra colocar o banana do Cage... Sinceramente, não sabem ganhar dinheiro.

Ah! E da próxima vez, coloquem ela de Morgana logo!

(Verônica vivida por Monica Bellucci)

FICHA TÉCNICA

(The Sorcerer's Apprentice, 2010)
Diretor: Jon Turteltaub
Elenco: Nicolas Cage, Monica Bellucci, Jay Baruchel, Alfred Molina, Teresa Palmer, Toby Kebbell, Omar Benson Miller, Jake Cherry, Peyton List, Robert Capron.
Produção: Jerry Bruckheimer
Roteiro: Matt Lopez
Fotografia: Bojan Bazelli
Trilha Sonora: Trevor Rabin
Duração: 110 min.
Ano: 2010
País: EUA
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Buena Vista
Estúdio: Walt Disney Pictures / Jerry Bruckheimer Films
Classificação: 10 anos

Sinopse
Dave (Jay Baruchel) é apenas um estudante comum, ou assim parece, até que Balthazar Blake (Nicolas Cage), um feiticeiro experiente, o recruta como seu relutante protegido e dá a ele um curso rápido nas artes e na ciência da magia. Enquanto Blake se prepara para a batalha contra as forças ocultas em Manhattan dos dias de hoje, Dave logo entende que terá de reunir toda a sua coragem para sobreviver ao treinamento, salvar a cidade e ficar com a garota que ama.

Onde moram? Onde??

Taí um filme relativamente novo que me faz ficar com cara de tacho no final. Imagine você que crianças norte-americanas possuam uma leve tendencia à psicopatia e ponto. Pega um garotinho de layout fofinho, coloca nele um comportamento meio louco e uma família um pouco estranha (meio problemática), vista-o com uma roupa infantil engraçadinha e pronto. Se isso não é selvagem pra você, você tem problemas.

Cara, agora, falando sério, o que me deixou "meio assim" foi a falta de explicações, foi fazer com que você pense a partir das poucas pistas que o filme te dá e eu gosto disso. Sem dúvida é um filme infantil para adultos pensarem. Não quero fazer desta breve crítica uma resenha crítica de um curso de psicologia, mas dá pra passear pelo campo sem qualquer sombra de dúvida.

Os bichos me deixaram um pouco incomodado, como se a turminha do Garibaldi tivesse entornado umas 50 garrafas de Absolute, mas quem ficava de porre era eu. A fotografia, bem... Terrenos baldios. Fui capaz de lembrar da minha infancia quando costumava correr por um terreno enorme de uma fábrica lá, e era cheio de árvores e tal... Bem, resumindo: eu recomendo. Mas assista sem propósito, sem proposta pré-concebida. Depois pense. Quem sabe não tira conclusões melhores que as minhas. E vê se posta alguma coisa por aqui, seria bem-vindo.

(Carl e o pequeno Max)

Fiquei seriamente tentado a ler o livro pra saber se encontro as respostas que queria...


FICHA TÉCNICA

(Where the Wild Things Are, 2009)
Diretor: Spike Jonze
Elenco: Forest Whitaker, Catherine Keener, Paul Dano, James Gandolfini, Catherine O'Hara, Lauren Ambrose, Tom Noonan, Alice Parkinson, Max Records, Michael Berry Jr..
Produção: John B. Carls, Gary Goetzman, Tom Hanks, Vincent Landay, Maurice Sendak
Roteiro: Spike Jonze, Dave Eggers, baseado em livro de Maurice Sendak
Fotografia: Lance Acord
Trilha Sonora: Carter Burwell
Duração: 101 min.
Ano: 2009
País: EUA
Gênero: Fantasia
Cor: Colorido
Distribuidora: Warner Bros.
Estúdio: Warner Bros. / Playtone Productions / Wild Things Productions
Classificação: 10 anos

Sinopse
Max (Max Records) é um garoto travesso mandado de castigo para seu quarto depois de desobedecer a mãe. Porém, a imaginação do menino está livre e o transporta para um reino desconhecido. Encantado, Max parte para a terra dos Monstros Selvagens, onde Max é o rei.

21 de mai de 2011

Um Anjo

Quem sou eu
senão vontade, reflexão
Sou eu Metade,
sopro da divinação
Se filho de Eva
venho da costela de Adão
Se feito de carne
sou rasgo da imaginação,
Prefiro ser estrela
habitando a imensidão,
Que sangue frio à madrugada
de uma mordida à paixão.

16 de mai de 2011

Tramas ilícitas

Na vida... Gosto de caminhar.
Visito meus sonhos mais distintos
burlando as regras da distância.
Tocando cada sentido que você me desperta
Provando cada gota de paz que de você emana.
Porque nada se compara ao teu olhar
Mesmo que contido, o mais lindo labirinto
distribuído em versos, cânticos melancólicos
gritos desérticos e passos alcoólicos.
Porque assim é você pra mim.

Mas a vida é desejar
E quando desejo você em sonhos, dos mais bonitos,
Não penso em mais nada. É a constância
de ter você, de ver a janela e a lua desperta
sendo cúmplice de uma terna mulher, humana
que nada mais faz senão amar.
Mesmo que um amor torto, porque é como sinto.
Um calor ardente no peito
de um dia qualquer desses sem jeito (algum)
De ser meu amor, de ter um fim.

E é só fechar os olhos
para sorrir a música mais encantadora
Com o som do coração em agonia constante;
na garganta a pele que o sangue não contém;
Na verdade as palavras em sintonia torpe
de uma mentira livresca, velha
Como se putrefata de tanto existir e mesmo
Sem saber para onde marcar a saída ou ir,
Passeia numa confusão de hipérboles e marafonas.

Mas em simples e brilhantes pensamentos
diante da mais completa e absoluta razão
o que nos resta de lucidez ao contento
são as noites de perigosa sensação
a perda de mais um daqueles velhos lamentos
a frase, arrojada da boca sem sentido
Os despertos abrigos, sorrisos em lampejos
de uma vasta manhã, meu sorrateiro inimigo sou eu.
Lutando em desatino por um gracejo teu.

Perplexo. Em cuja avaliação
me fogem vidas ou caminhos de que tanto gosto.
Detestando sábias jóias de real intenção
para trocar as glórias da solidão em que aposto
Provando o gosto de tua sangria incontida
Percebo a desatada paixão que tu querias.
Vou viver agora o desabor da dor da completa alegria
por tudo aquilo que sabia e te daria.
Felicidade, algo que jamais terás um dia.

Impacto

"Muitos brasileiros sonham com a possibilidade de viajar para um país de primeiro mundo para tentar uma vida melhor. "

Esta afirmativa definitivamente carrega consigo uma série de reflexões. A primeira delas, sem dúvida, é o fato de que o Brasil, infelizmente ainda está longe de ser a pátria dos sonhos. É bem verdade que o nosso clima é um dos melhores do mundo quando nos referimos ao eixo Rio – São Paulo, afinal, quem possui ar-condicionado não se preocupa com o calor, e no caso de frio, uma boa residência resolve. Claro, a prosperidade da Nova Iorque brasileira supera qualquer outra cidade tupiniquim, assim como as belas praias cariocas, aquelas que dão um toque de superioridade enrustida para o Rio de Janeiro, sem dúvida alguma, bastam. Antes fosse assim.

Fato é que a cada ano, mais pessoas são vítimas de catástrofes de cunho climático quer seja pelo comportamento inusitado que nosso planeta vem apresentando nos últimos anos pela longa exploração incontida de seus recursos, quer pela não infra-estrutura oferecida pelos governos. Nosso Brasil é lindo, mas não podemos esquecer que muitas de nossas cidades foram construídas na contramão da natureza. São bairros-aterros, cidades inteiras construídas em locais em que antes houvera apenas água; estradas atravessando mangues e destruindo tanto flora quanto fauna; rios desviados visando o abastecimento de centros urbanos enquanto ecossistemas colidem uns com os outros na tentativa de sobrevivência. O que custa um trabalho conjunto para acrescer em qualidade real para os futuros moradores das áreas urbanas de nosso país? Geólogos, biólogos, engenheiros, todos deveriam ter espaço público garantido nos governos para não caírem no ridículo de se candidatar à vereança a despeito de resolver problemas antigos que descansam sobre os lençóis empoeirados da corrupção. Mas tudo isso custa, e custa dinheiro. Dinheiro que escoa pelos ralos que a matemática provoca por não ser de fato uma ciência exata, e, que vai desaguar direto nos cofres de quem deveria defender o interesse público, e não os interesses do público.

Sim, definitivamente Michael Foucault tinha razão com o panóptico, Guy Debord também, pois vivemos em uma sociedade do espetáculo. Viver no nordeste, ou melhor, no sertão nordestino em tempos de calor extremo rende manchetes de jornal por dias, o papel ganha peso e valor mais uma vez. O ibope de programas que definem seu trabalho como de ‘denúncia’ continuam exibindo tragédias sem denunciar de fato quem está por detrás da grande sabotagem que cerca o povo sertanejo desde que Lampião ainda era vivo. E por que não falarmos um pouco no sul de nosso país? Apesar de parecer outro país como muitos pretensiosos gostam de afirmar, o sul é somente o sul de um pais de terceiro mundo. O vocábulo pode parecer antiquado, mas em desenvolvimento é quando notamos a existência de programas sociais de resgate cultural, de desenvolvimento e capacitação/qualificação de indivíduos, e não quando ainda notamos que tem gente passando fome, favelas e analfabetos, na verdade ainda existe gente humilde que nem de longe sente o calor do afago do governo, ao contrário, recebe os golpes paulatinamente da cinta de aço do pai-castigo sem o menor aviso. Pergunte para algum deles quem é o culpado por sua fome e trágica ignorância. Pela falta de trabalho digno e pela ausência de honestidade no poder público. A resposta pode vir a ser um “não sei” após um breve período de reflexão.

Você pode estar se perguntando como o assunto pode mudar tanto de direção, afinal de contas, falávamos sobre a verdadeira delícia de se conhecer a cultura ordeira de um país de bases sólidas, cujo governo se cerca de artifícios para defender seu povo, por conseguir de fato definir qual seu papel perante a sociedade. Mas entre tanta turbulência, tornamos claras questões obscuras, intrinsecamente ligadas ao nosso modo de vida atual. Se compararmos nossa moeda a algumas das moedas mais poderosas do mundo como o dólar americano, o euro ou a libra esterlina, perceberemos o quanto nossa economia ainda está aquém de se definir como fator determinante e atrativo para que as cabeças pensantes de nosso país se detenham dentro de nossas fronteiras. Mas a raiz do problema nem esta na moeda, até porque, se os salários fossem um pouco maiores, certamente os engenheiros, médicos, doutores, professores, mestres, estariam aqui, em um solo mais fértil, provando das delicias da nossa terra, das combinações que nosso arroz com feijão permite, e não do fast food barato que se encontra por aí.

É Brasil, por vezes sinto vergonha de você. Não pelo que sou, ou pelo que você nos fez, mas pelo que os seus filhos fazem desde que descobriram como é bom mamar nas tetas de teu seio e descobrir mil amores diferentes, todos os dias, os conduzindo ao berço esplêndido donde reinam eternamente impunes enquanto chafurdam na lama. Vejo a comercialização barata da mão-de-obra de mentirinha que se diz pensante e me sinto envergonhado pelo subproduto desta venda quando converso com ele. Maldita relativização da realidade. O pior de tudo é me sentir culpado e injusto por não compreender o panorama que o pariu, ou aquela senhora que o pariu mesmo.Enquanto isso, prosseguirei escrevendo e quem sabe uma ou outra palavra não te sirva. Em tempos de revolução digital em que blogs não servem para embrulhar peixes, favorite-me, ou quem sabe Alt+F4 não te faz sentir melhor protegido? Terei cumprido meu papel de qualquer forma.

11 de mai de 2011

Nunca fui muito bom de matemática

Ok. O número quatro é maneiro, o seis também. Uma pena que outros três número tenham morrido. Mas, se você tem nove números, três aparecem mortos e dois vivos, quantos ficam faltando?

Certos roteiros parecem extremamente batidos à minha geração que cresceu com Superman,Star Wars, daí acaba que, realmente, fica meio brabo fugir às histórias em quadrinhos e as animated series. Mas quer saber? Eu gostei do filme. Quer dizer, acho que não farão um dois porque não acho que haverá demanda pra isso. Coitado do Alex Pettyfer que até mandou bem no filme.Os efeitos ficaram simples, mas bacanas. Como a maior parte dos poderes ets deles implicava em aprimoramentos físicos, a ação foi boa, bastante dinâmica. Destaque para Dianna Agron que da uma escapadinha de Glee pra fazer uma pesonagem tão apagadinha quanto a da série, mas embeleza o filme de uma maneira...
(O par romântico do filme, Dianna Agron e Alex Pettyfer)

Eu sou o número quatro merecia mesmo uma série. Com tanta série porcaria por aí essa podia dar certo. Eu seria o número nove. Poderes? Quem sabe telepatia ou controle eletromagnético!


FICHA TÉCNICA

(I Am Number Four, 2011)
Diretor: D.J. Caruso
Elenco: Dianna Agron, Timothy Olyphant, Teresa Palmer, Kevin Durand, Alex Pettyfer, Callan McAuliffe, Jake Abel
Produção: Michael Bay
Roteiro: Alfred Gough, Miles Millar, Marti Noxon
Fotografia: Guillermo Navarro
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Ficção Científica
Cor: Colorido
Distribuidora: Disney
Estúdio: DreamWorks SKG / Road Rebel

Sinopse
Nove jovens alienígenas, que se parecem muito com humanos, saem de seu planeta-natal, Lorien, que está ameaçado, para se esconder na Terra. Os Mogadorians são a espécie invasora responsável pela destruição de Lorien e decidem perseguir os sobreviventes até o planeta Terra. Cada um dos nove alienígenas tem um número e só podem ser mortos na sequência certa. Até agora, Um, Dois e Três já foram mortos. Número Quatro (Alex Pettyfer), conhecido entre os humanos como John Smith, disfarça-se de estudante colegial. Na escola, conhece Sarah Hart (Dianna Agron), uma doce garota que quer ser fotógrafa. Após fugir durante toda a sua vida, Número Quarto se apaixona por Sarah e agora tem um motivo para parar de fugir.

Na varanda

Da varanda eu podia ver o portão de casa. No meio do mato, não temos muito o que ver. Então eu fico na varanda esperando alguma coisa passar. Passam animais. Cavalos, vacas, cabras, um ou outro tocador de boiada, alguns cães, núvens. Aviões eu nunca vi passarem por aqui. Estrelas eu vejo quando anoitece. Existem muitas. A televisão da vizinha está fora do ar, então eu posso ficar mais tempo na varanda. A luz da lua é sempre linda por aqui. Não temos muitos postes de luz. Sabe o que vejo diariamente? Borboletas. Das coloridas, das amarelinhas, tamanhos variados. Passarinho então aqui tem de monte. Um canta mais bonito que o outro! De noite, quando chove, no dia seguinte pode contar que com o riacho cheio, os sapos farão aquela festa! A sinfonia é tanta que só depois da madrugada é que consigo pegar no sono. Fico imaginando uma orquestra. E ouço corujas, morcegos, grilos, até gatos namorando eu escuto. Vez ou outra tudo fica quietinho e eu posso ouvir você. Escuto sua voz dentro de mim. Vejo tanta coisa pela varanda que esqueço o quanto gosto de te escutar, e lembro que no meio do mato não tem muito o que se ver. E a televisão da vizinha pega. E tudo volta praquele estado de coisas em que estamos vivendo, onde a única e mais importante revolução possível é a pessoal.

De noite, vou ver as estrelas. Elas nunca se vão...

7 de mai de 2011

(Sem título)

Não tenho palavras.
Há muito elas me tem.
Não tenho rumo
Desalinho estradas
Vida de sopro gritante
Aos pés da noite, vascilante.
Cretino ao extremo do ser.
Estranho vazio da mente
Estranho se faz o sofrer.
Profundo... de frente, de nada
Agradeço o óbvio
Desprezo o lampejo do sórdido
Perdôo o vício que tenho em você
Abrigo pedaços e muros
Desenho feliz o compasso
E se mais um verso me faço
Acabo surdo, mudo, desnudo...
Sem mesmo antes lhe ver.
Por isso não tenho palavras,
Ao menos as que gostaria de ter.

6 de mai de 2011

Civilidade: Eu apoio!

Hoje, o Brasil deu um grande passo rumo à civilidade:

O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, por unanimidade, nesta quinta-feira (5) a união estável entre casais do mesmo sexo como entidade familiar no Brasil. Na prática, as regras que valem para relações estáveis entre homens e mulheres serão aplicadas aos casais gays.


“O Poder Legislativo, a partir de hoje, tem que se expor e regulamentar as situações em que a aplicação da decisão da Corte seja justificada. Há, portanto, uma convocação que a decisão da Corte implica em relação ao Poder Legislativo para que assuma essa tarefa para a qual parece que até agora não se sentiu muito propensa a exercer”. Presidente do STF, Cezar Peluso


“Entendo que uniões de pessoas do mesmo sexo, que se projetam no tempo e ostentam a marca da publicidade, devem ser reconhecidas pelo direito, pois dos fatos nasce o direito. Creio que se está diante de outra unidade familiar distinta das que caracterizam uniões estáveis heterossexuais”. Ministro Ricardo Lewandowski.


“Não temos a capacidade de prever todas as relações concretas que demandam a aplicabilidade da nossa decisão. Vamos deixar isso para o caso a caso, nas instâncias comuns. A nossa decisão vale por si, sem precisar de legislação ou de adendos. Mas isso não é um fechar de portas para o Poder Legislativo, que é livre para dispor sobre tudo isso”. O Relator, Ministro Ayres Britto.


"Esse julgamento marcará a vida deste país e imprimirá novos rumos à causa da homossexualidade. O julgamento de hoje representa um marco histórico na caminhada da comunidade homossexual. Eu diria um ponto de partida para outras conquistas". Ministro Celso de Mello.


“Onde há sociedade há o direito. Se a sociedade evolui, o direito evolui. Os homoafetivos vieram aqui pleitear uma equiparação, que fossem reconhecidos à luz da comunhão que tem e acima de tudo porque querem erigir um projeto de vida. A Suprema Corte concederá aos homoafetivos mais que um projeto de vida, um projeto de felicidade”. Ministro Luiz Fux.


“Aqueles que fazem a opção pela união homoafetiva não podem ser desigualados da maioria. As escolhas pessoais livres e legítimas são plurais na sociedade e assim terão de ser entendidas como válidas. (...) O direito existe para a vida não é a vida que existe para o direito. Contra todas as formas de preconceitos há a Constituição Federal”. Ministra Cármen Lúcia.


“O reconhecimento hoje pelo tribunal desses direitos responde a grupo de pessoas que durante longo tempo foram humilhadas, cujos direitos foram ignorados, cuja dignidade foi ofendida, cuja identidade foi denegada e cuja liberdade foi oprimida. As sociedades se aperfeiçoam através de inúmeros mecanismos e um deles é a atuação do Poder Judiciário”. Ministra Ellen Gracie.


“Estamos aqui diante de uma situação de descompasso em que o Direito não foi capaz de acompanhar as profundas mudanças sociais. Essas uniões sempre existiram e sempre existirão. O que muda é a forma como as sociedades as enxergam e vão enxergar em cada parte do mundo. Houve uma significativa mudança de paradigmas nas últimas duas décadas”. Ministro Joaquim Barbosa.


“As escolhas aqui são de fato dramáticas, difíceis. Me limito a reconhecer a existência dessa união, sem me pronunciar sobre outros desdobramentos. (...) O limbo jurídico inequivocamente contribui para que haja um quadro de maior discriminação, talvez contribua até mesmo para as práticas violentas de que temos noticia. É dever do estado de proteção e é dever da Corte Constitucional dar essa proteção se, de alguma forma, ela não foi engendrada ou concedida pelo órgão competente”. Ministro Gilmar Mendes.

Trechos em itálico
extraídos do G1



Quando pensamos em direitos humanos, não consideramos, muitas vezes, grupos ou minorias que permanecem à margem de inúmeros processos sociais, ou seja, não possuem seus direitos assegurados. O passo dado hoje, contribui para que mais de 60 mil famílias brasileiras, assumidamente gays, tenham seus direitos humanos garantidos, ou seja, regularizem sua situação aos olhos do Estado.

Não sou inocente a ponto de considerar que o movimento gay deste país tenha adquirido essa conquista apenas por seu esforço. Não acredito que as passeatas e paradas gays tenham sensibilizado muitas pessoas com toda sua flâmula de carnaval fora de época. Muito menos penso que nossa sociedade passará a ver com outros olhos os casais gays que venham a caminhar nas ruas sequer de mãos dadas. Infelizmente ainda veremos muitos relatos de violência, abusos e agressões, ou pior ainda, não veremos, porque muitas vezes não é do interesse público ficar ciente de casos assim, já que nossa população ainda é tacanha, preconceituosa e conservadora.

Acredito sim, que pessoas e casais gays possuem um maior nível de renda. Acredito que gays, por precisarem se afirmar como profissionais, possuem maior capacitação para o mercado de trabalho. Acredito também que tudo isso colabora para a visão inteligente de que um país, que quer ser levado a sério, precisa educar sua população, especialmente para que o turismo receba bem a diversidade, uma vez que os países de Primeiro Mundo amam gastar seu rico dinheirinho aqui e que todos eles veem a questão gay com olhos de civilidade.

O Brasil está no caminho certo. Para mim, mais vale um bom exemplo copiado por acaso ou por puro oportunismo e interesse que um mau exemplo replicado todos os dias por força do hábito. Agora, me resta acreditar que outras questões urgentes sejam tratadas o quanto antes e com a mesma seriedade mesmo que não reflitam em ganho para os cofres públicos.



Chico Xavier falando sobre a Homosexualidade para o Programa Pinga Fogo.
http://www.youtube.com/watch?v=fjtO7aCivMI&feature=related

Projeto #EuSouGay
http://projetoeusougay.wordpress.com/

4 de mai de 2011

Que trovoada que nada!

Para quem é aficcionado pelos quadrinhos da Marvel, como eu, e esperava ver um filme que superaria a versão cinematográfica de Iron Man, perdeu tempo. Isso mesmo! Thor acabou ficando ainda mais distante de Midgard.

Com efeitos especiais bacanas, humor até demais e um romance sem pé nem cabeça, o filme retrata o universo Ultimate da história do herói. Porém, seu roteiro nem tanto mitologia, nem tanto ficção magazzine, fez de Thor uma decepção para seus fãs-leitores e um excelente filme para Tela Quente. A boa sacada do filme foi a lembrança de Donald Blake, o alterego humano do Deus asgardiano, quando Thor, já na Terra, veste uma roupa emprestada e no crachá aparece o nome do médico. Porém Loki, o eterno opositor do Deus do Trovão, fora retratado como uma criança mimada em um quadro grave de carência afetiva. Faça-me o favor!
(Loki vivido por Tom Hiddleston)

Das atuações, não tenho muito o que dizer. Convencem. Chris Hemsworth não precisa fazer muito esforço pois pegaram a expressão do Thor mitológico, ou seja, praticamente nenhuma, ele é um bárbaro, qual seria a dificuldade? Renne Russo mostra que apesar do tempo continua belíssima e merece destaque para sua única cena de peso no filme, e, Anthony, bem, eu fico com ele em Hannibal.

É. Acho que o que salva o filme, no final das contas, é a aparição de Stan Lee. Que venha agora o CapitãoAmérica!


FICHA TÉCNICA

(Thor, 2011)
Diretor: Kenneth Branagh
Elenco: Natalie Portman, Chris Hemsworth, Anthony Hopkins, Samuel L. Jackson, Kat Dennings, Stellan Skarsgård, Idris Elba, Stuart Townsend, Ray Stevenson, Tom Hiddleston, Rene Russo,Jaimie Alexander.
Produção: Kevin Feige
Roteiro: Ashley Miller, Mark Protosevich e Zack Stentz.
Fotografia: Haris Zambarloukos
Trilha Sonora: Patrick Doyle
Duração: 114 min.
Ano: 2011
País: EUA
Gênero: Aventura
Cor: Colorido
Distribuidora: Paramount Pictures Brasil
Estúdio: Paramount Pictures
Classificação: 10 anos

Sinopse
Prestes a ser coroado Rei de Asgard e suceder seu pai Odin (Anthony Hopkins), o arrogante Thor (Chris Hemsworth) é expulso de seu lar e enviado à Terra por ter reiniciado uma antiga guerra. Obrigado a conviver com mortais, ele deverá aprender a ser um verdadeiro herói para combater as forças do mal que ameaçam a sobrevivência de seu mundo.

Sinestésico

Depois de fazer uma certa pesquisa de opinião, inauguro a Tag Poesias e Poemas.


Sinestésico

No mesmo minuto
O relógio grita seco,
Cego.
Caminha prolixo rumo ao vazio
Do nada que me estende um braço
Um abraço do destino.

No mesmo quarto
Que se distancia da cópia
que segue o sono macio.
Impáfia.
Do se constante
Consciência do movimento estio.

Redundante.
O mesmo minuto no quarto.
Relógio cego distante da cópia,
Um braço prolixo do sono vazio
Movimento constante do destino estio

Anestésico.

Boa noite


"Me chamo Paulo, tenho 50 anos. Não vou dormir em uma cama hoje."



"Não tenho mulher, filhos, casa. Mas não deixo que essas coisas me desanimem. O mundo está completamente do avesso, e eu não quero ser consumido pelo sistema. Não trabalho. Não do jeito que a maioria das pessoas trabalha, porque eu respeito nosso planeta. Todos somos parte de uma grande rede, mas ela está desgastada demais. Deus, se ele pudesse, sentiria pena de nós, mas ele é grandioso demais. Por isso vendo meus pensamentos. Esses são pensamentos inéditos, nunca publiquei...


Está chovendo forte demais hoje. Consequência do Aquecimento Global. Quando será que o homem vai entender que não se deve jogar lixo na rua? Por isso não tenho filhos nem como carne. O mundo está muito diferente do que já foi... Mas eu consigo ver o que está por detrás da máscara humana. Por isso não vejo televisão, ela envenena a gente. As grandes empresas manipulam tudo. Esse seu telefone, desculpe, mas não pude deixar de ver, ele pode informar pra eles onde você está e o que você compra. Eu vi na internet o último satélite que a NASA colocou em órbita. Está lá pra quem quiser ver! Pode fazer fotos da gente aqui, agora."

"Mas eu não desisto."



Paulo é mais um homem do Rio de Janeiro. Mas está longe de ser um cidadão. Aos olhos do estado é apenas mais um ser... Invisível. Naquela noite chuvosa, seu sapato encharcado não resistiria ao frio, muito menos suas roupas velhas. Seu estômago pediria por comida dali a horas, pois eu tinha lhe pagado um lanche. O cansaço de andar por aí vendendo seus pensamentos faria o corpo pesar, pedir por uma única pausa, mas onde? Ele teria de vigiar-se a cada instante. Calçadas ocupadas por moradores de rua. Lixo sendo revirado pelos bichos da noite. Ladrões de pensamentos em todos os lugares o espreitariam.

Paulo está sempre só, vagando, observando a vida. Sua cama, uma folha de jornal. Coberta? Nenhuma. Sua bolsa de mão seu travesseiro. Dormir? Por alguns minutos apenas. Sua confusão e lucidez se misturaram por diversas vezes. Não pude dormir tranquilo depois de conhecê-lo. Depois de lembrar que milhares de homens e mulheres invisíveis estão pelas ruas desamparados, sujeitos a todo tipo de circunstância.

Eternizemos então nossos Paulos. Porque se o que quer que seja o impede de ser o que é, eu deixarei abertas as portas do meu mundo.


"Os poderosos estão interessados apenas no próprio bolso enquanto muitos tantos estão com fome nas ruas. Por isso eu odeio política! Queria que eles morressem, mas nem conseguem prendê-los. Eles nos enganam, mas eu faço política o tempo todo, me entende? Eu sei disso, mas não voto nessa gente. Que Deus me perdoe, eu só quero ter o meu canto, ser gente de novo. Aqui dentro - apontando para o peito - Eu sou um Rei. E sei quem sou."