20 de jun de 2017

Cena póstuma

Esse olhar, essa cascata,
É corpo.
É leve.
E me grita
Um universo todo nosso
Um caminho, uma roça
Uma rima.
Que há de colorir nosso sorriso
de clamar pela chama
Anuviar o pensamento,
de bater no coração de quem ama.
E se no brilho das estrelas nos vejo,
Se no cair da noite lhe abraço,
Se há dança em mim, um desejo
É pelo tempero pelo gosto do afago
Que é o nó da garganta o casaco
No passo da lama, é Frida
No silêncio do quarto me calo
Desenhando o amanhecer de mais um dia
Que se eterniza ao findar comigo
Na morte ao chão, num lago ou piscina
A revelar o novo, o pesar, um descanso
Trazer ao começo, outra sina.
É quando toca o sino que "eu te agradeço"
Quando limpo a alma que sinto no corpo
Ouço em você o meu choro
Nos faço uma bossa, padeço
Pra cantar contigo de novo e de novo...
Mas pra descer à vida vazia
So tenho a fazer um pedido
Não me deixes
Some comigo
Se meu imã.
E se o mundo então nos unir
A palavra rasgar, sangrar ferida
Me toma em teus braços
Me erga, me lance, me afunde em ti
Porque se no palco é à vera é amor
O meu ensaio dolorido é na vida.

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