3 de mai. de 2015

Sons e Cores

Batiam lhe as ondas de um mar revolto
Castigando em mares de sal e esgoto
As costas amargas de praias assim,
Donde nadam golfinhos, gente, tartarugas
Num tempo em que o próprio tempo exibe suas rugas
De uma vastidão ímpar sem fim

Até que a tarde findasse em festas de luzes
As horas em frestas pintando o mar em cardumes
De cores, canções, lixo e viveiros humanos
Ou até quem sabe, meu olhos, as vistas se turvem
Pelos grãos de areia, o verde, nas nuvens 
Guarda sois, latões, amores, paixões e enganos.

Na sonora e tardia harmonia
A voz de que mais me valia
Surgia do esforço de dias assim
Coloridas de mares, céus e sorrisos
Do fundo, daquilo que mais preciso
O tudo que em minha volta foi feito pra mim.

27 de abr. de 2015

Nota de empenho

Sem dor, sem medo
No seio da vida, na poeira
Carrega o homem um segredo
dos que calam, inaudíveis
a ouvidos sensíveis
Sem espaço, sem zelo
no girar das horas
Por dias inquietantes
passa o homem adiante
suas verdades quase tortas.
Sem tempo de se-lo
Adormece por fim no escuro
por não saber ceder,
não saber amar,
não ter cuidado,
Onde não precisa pedir,
não precisa guardar,
não é arriscado.
Pode ser bicho, ser fera
ter qualquer segredo enfadonho
Que noutro lugar, ao seu lado
ou no fundo da alma
onde reinam fantasmas
nem secretamente
ele será cobrado.

13 de abr. de 2015

Saudadezinha

Si avuá fôssi tarefa minha
nem brilho d'esterlinha ieu inha invejá
Purque si cortava as núvi
Das árvri as copa, os cume
paricendo uns vagalume ieu inha praná
Pr'alumiá as foresta,
Nas frozinha umas cesta tirá
o hoje qui só é festa, de canção e seresta
e o qui mi resta, é qui vo mi acabá!