6 de dez. de 2012
Meninas
Eu te peço
um momento seguro,
apenas um segundo de nós dois.
Eu te detesto.
O seu cinismo, tua verdade,
seu ceticismo sem maldade
e tudo aquilo o que vem depois.
Mas te procuro
valsa e meia mudo o rumo
outra parceira, um giro, um mundo,
uma brisa quente ao suspirar...
Porque te espero
na parede branca e finda
a me pintar segredos sem tinta
qualquer palavra
que pudesse livremente nos tocar.
E te suplico,
por uma história, um castelo,
uma vontade insossa, uma cascata
pra te proteger do zero a zero
que vivemos todos os dias
ao nos evitar.
5 de nov. de 2012
Pretérito
Do fôlego
Uma pulsação.
Contagem regressiva
A caminho do mundo.
Tomo assento só por um segundo
Porque não pretendo partir...
Não haverá rejeição,
Não compreendo o significado de desistir.
Um zumbido, uma voz clemente.
Um parto, assim, subitamente
Quero entender pra onde ir.
Passeio por estreitos caminhos
Corredores, macas, salões vazios
E o sentido da voz se fez
Pálido e entristecido...
Sordidez da alma, ou apenas
Tórrido destino?
Nenhuma luz análoga
Há de iluminar qualquer libido.
Nenhuma prevaricação terá espaço
A carne aqui é cortada por aço
Nem o mais forte homem haverá de resistir.
Mas a coragem é inata
E quando o bicho homem é solto na mata
Qualquer grito lhe alimenta o arrepio.
Com medo de um saber voraz que o alimenta,
Um dia, devorarás o que o atormenta
e levarás consigo um perdão.
Não existirá vara de condão
Ou qualquer contenda,
Que compreenda por quantas batidas, bate um coração.
Desejo contudo
perseguir sem cansaço
Quantas vezes, preciso for, me faço
o favor de reconhecer uma batalha
Por que ardem em minhas veias
No meu traço
O calor do fogo pelo que passo,
A dor da carne cortada pela navalha.
Derreterei espinhos
Romperei frestas, respirarei fundo
Sou filho da fonte, do espaço, colocado no mundo
Não sou mais que um grão, nada de especial,
Mas entenda,
Uma vez nascido do amor
Não há melhor sabor no ventre,
Há somente o futuro, não se surpreenda.
Um soluçar...
Uma distração
e a vida se faz presente
Quase que em outra versão
Não importa o texto,
Tão pouco a cena.
O paciente reage... Luta pelo amanhã.
Bate o choro
Respira a palavra,
Sua palminha, pequena, me fita
Vejo os pezinhos, os olho
A vontade me trava
Sua face sorri, e só então... me convida.
Do óbvio,
Minha transpiração...
Três, dois... um.
22 de out. de 2012
Desperdiçando-me
Quando te sinto
breve e suave,
com lágrimas nos olhos
Antevejo a madrugada.
Nem tinta fresca na varanda,
nem caminhos sinuosos, enluarados,
nada se transforma em brilho,
nada contém minha vontade amada.
E é quando minto,
mesmo que a boca se cale
e haja um cisco nos olhos,
que percebo a cilada.
Não há gratidão, como a vida manda
Não há amores antigos, prostrados
Do meu modo me humilho
Do meu modo, minha metade me mata
No espelho da ideia, entendo,
que mesmo refletidos amor e dor rimam
nas vidas mais encantadoras
e em histórias completamente sem graça.
No fundo da memória te escuto dizendo
que por mais escuro, o coração sendo
não há divindade sem fé
há somente espaço e força em desperdício, trancada
Pois que venha então sorrindo
o amanhã daqueles que brigam,
que se trancam em masmorras
que constroem fortalezas impenetráveis na mata
porque não me importo, vou vivendo
mesmo você não querendo
serei feliz, de pé,
porque não acredito em você, farei eu mesmo minha estrada.
É quando te sinto
por anos, pesando ao meu lado
os olhos ardendo, mãos formigando,
antevejo nós dois e a manhã iluminada.
Uma varanda espaçosa
caminhos verdejantes, uma casa de praia
em meio à opacidade do tempo
nossos sonhos ao relento, você e eu, passárgada.
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