8 de abr. de 2011

Até a página 20...

Seres humanos são complicados por natureza. Aquilo que lhes move, muitas vezes, é um absoluto mistério. O que a uns parece a mais profunda estupidez, a outros, vai parecer a maior das descobertas. Assim somos nós, um misto de coisas que acreditamos ser com outro misto de coisas que notam em nós e que nem sequer percebemos. Ser gente é complicado.

No dia a dia é ainda mais complicado. Imagine você que se nenhum homem é uma ilha, dependemos das relações interpessoais para realizarmos coisas. Então, nos apoiamos no que vemos de melhor nos outros, crédulos de que a ordem deve imperar por sobre o caos de maneira plena e satisfatória. Entretanto, ser gente implica em algum momento deixar de ser porque somos dinâmicos, inconstantes e cheios de defeitos. Nos baseamos nas virtudes para compreender o outro, e as usamos como desculpas fáceis aos nossos defeitos para justificar a repressão ao comportamento do outro, exercendo também os nossos defeitos. Definitivamente a tarefa não é nada fácil. Conviver em harmonia com a desavença, diversidade e desordem exige muito mais sacrifícios pessoais que conviver consigo mesmo, porque conviver consigo mesmo nos possibilita mentir sem dever satisfação.

Conheço pessoas que me fariam "vestir a camisa" da humanidade. Conheço outras tantas que me fariam rasgar qualquer tecido. Há que se buscar a convivência com alteridade e paciência para obtermos tolerância e respeito. A loucura da vida está em não tentar interpretar o mundo do outro com todas as palavras. Se nossas vidas fossem livros, de verdade e sem figurações, eu não gostaria de ser excelente até a página 20.

4 de abr. de 2011

A vida nossa de cada dia

Recentemente o Brasil perdeu um de seus políticos mais notáveis, mas não por seus feitos políticos, falo de José de Alencar.

A morte nos causa certa comoção, é verdade, e no Brasil, basta morrer na política para que o passado tenebroso seja aviltado por uma onda de perdão interminável e de forma intermitente, graças a Deus, porque assim como os pecados são esquecidos com o tempo, o sujeito também. O problema é que tal figura para sempre será lembrada pelo seu gesto mais puritano, e não por tudo aquilo que lhe formara o caráter.

José de Alencar, um homem forte, industriário de personalidade ímpar ganhou notoriedade quando assumiu a tarefa de vice-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva provando-se fiel escudeiro durante seus dois mandatos, mesmo tendo sido incapaz de se manifestar sobre o escândalo do mensalão, momento em que se resguardara de um silêncio impecável. Noutra ocasião, levou seu conglomerado têxtil para a China, a despeito do debate sobre o protecionismo do mercado chinês ou sua citação na CPI dos Correios. Mas o que mais me adimirou em José de Alencar foi sua coragem. Coragem para lutar pela vida. Coragem para continuar. Coragem para fugir dos escândalos que o assombravam, coragem para calar quando o povo brasileiro precisava de respostas e coragem para dizer à Rosemary de Morais, suposta filha, que lhe movia um processo de investigação de paternidade, que se negava a realizar o teste de DNA porque quando jovem frequentou muitos prostíbulos e que certamente sua mãe era uma daqueles prostitutas com quem teve relações sexuais. Será que isso desmerece José de Alencar? Talvez sim, talvez não, pois afinal, só nos comovemos com sua batalha porque a midia nos fazia questão de noticiar, vice-presidente acometido de câncer abdominal é notícia enquanto milhares de anônimos nas filas do INCA agonizam suas vidas dignas em longas esperas pela esperança que o dinheiro não foi capaz de comprar.

É, José de Alencar, vá em paz e que Deus o tenha no Santo Reino da Glória, ou que o Diabo lhe carregue, quem vai saber? Bem, eu que não vou lhe julgar, mas canonizar meu caro, não conte com isso.

31 de mar. de 2011

Minha retomada

Este blog anda um pouco ruim das pernas, não é verdade? Absolutamente que sim! Passei um longo período sem um porquê que fosse, sem necessidade extrema de escrever, sem vontade verdadeira de ler, nada. Apenas a pergunta: por que você escreve?

Me dei conta de que não importa se alguém lê, o que importa é a oportunidade. Não é o fato de eu gostar de escrever, propriamente dito, mas sim o de poder servir de exemplo. Quanto mais pessoas demonstram sua liberdade de expressão, aquela do livre pensamento, mais pessoas se sentirão encorajadas a prosseguir. Eu não escrevo porque gosto de me ler, não escrevo porque me sinto acorrentado em meu dia-a-dia, não escrevo porque gosto disso mais que de viajar, escrevo para que quem quer que seja possa encontrar o seu espaço, para que entenda que pode muito mais e melhor.

Eu que pensava que não existiam mais razões para continuar escrevendo e encontrei, numa conversa casual com um estranho, o porquê de retomar a tarefa, percebo hoje uma certa beleza no que faço, mesmo que de forma bastante tímida e pouco convícta.

A vida nos mostra que tudo tem seu motivo, e que normalmente este é igualmente proporcional a sua consequência direta e imediata. A cada esquina a felicidade pode nos esperar no segundo seguinte e não o contrário disso.

Obrigado por continuar.